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01 de fevereiro de 2026 - 21h09
PROTESTO

Manifestantes cobram punição a adolescentes pela morte do cão Orelha na Avenida Paulista

Ato reuniu centenas de pessoas em São Paulo e reacendeu debate sobre maioridade penal e crimes contra animais

1 fevereiro 2026 - 19h30
Manifestantes se reuniram na Avenida Paulista para cobrar punição aos responsáveis pela morte do cão Orelha.
Manifestantes se reuniram na Avenida Paulista para cobrar punição aos responsáveis pela morte do cão Orelha. - Foto: Letycia Bond/ Agência Brasil

Centenas de pessoas se reuniram neste domingo (1º) na Avenida Paulista, em São Paulo, para cobrar punição aos adolescentes envolvidos na tortura e morte do cão vira-lata Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Santa Catarina. O animal, que era cuidado por moradores da região, foi violentado no dia 4 de janeiro e morreu no dia seguinte, após ser submetido à eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.

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O protesto começou por volta das 10h, em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), e seguia até pelo menos 13h. Vestidos majoritariamente de preto, os manifestantes carregavam cartazes, adesivos e camisetas com a imagem de Orelha e frases pedindo justiça. Entre os gritos entoados estavam “Não são crianças, são assassinos” e “Não vai cair no esquecimento”.

O público era diverso, com pessoas de diferentes idades, algumas acompanhadas de seus próprios animais. Em meio às faixas e cartazes, também apareciam pedidos pontuais pela redução da maioridade penal, tema que voltou a ganhar espaço no Congresso Nacional, especialmente na Câmara dos Deputados, para crimes violentos.

A psicóloga Luana Ramos participou do ato e defendeu que adolescentes a partir de 16 anos respondam criminalmente por crimes considerados graves. Para ela, o caso evidencia desigualdades no tratamento dado a diferentes grupos sociais.
“Se fossem quatro meninos pretos, teriam sido linchados. Já teriam feito justiça com as próprias mãos. Enquanto isso, quatro meninos brancos, ricos, estão indo à Disney. Isso não pode mais acontecer”, afirmou.

Luana também criticou tentativas de minimizar o episódio. Segundo ela, declarações de familiares dos adolescentes, que trataram o caso como um erro, não condizem com a gravidade dos fatos.
“Erro dá para consertar. Isso não tem como voltar atrás. Foi assassinato, foi crueldade”, disse.

Além da violência contra o animal, o caso ganhou novos desdobramentos. Pais de dois dos adolescentes e um tio são investigados por tentativa de coação de testemunhas para evitar depoimentos. Os jovens respondem por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos.

A advogada Carmen Aires esteve na manifestação acompanhada da filha e de dois cães adotados. Ela relatou que Orelha não teria sido a única vítima do grupo. Segundo ela, outro cachorro quase morreu afogado em episódio anterior. Para Carmen, a legislação atual é insuficiente.
“As punições são muito brandas, praticamente não existem. Não resolveram nada, tanto que continuam acontecendo”, afirmou, defendendo a revisão das leis que tratam de crimes contra animais.

Durante o protesto, representantes de organizações de proteção animal distribuíram informações ao público. A ONG Ampara Animal destacou, em materiais divulgados, a relação entre a violência contra animais e outros tipos de agressão, como a praticada contra mulheres.

Turistas também se juntaram ao ato. O casal Thayná Coelho e Almir Lemos, de Belém, passeava pela Paulista quando se deparou com a manifestação e decidiu participar. Para eles, fatores como classe social e cor influenciam a sensação de impunidade.
“Acharam que tinham o direito de fazer aquilo. As imagens mostram isso claramente”, disse Almir. “Foi um ato sádico. Hoje foi um cachorro. Amanhã pode ser o quê?”, questionou.

A mobilização na Avenida Paulista reforçou a pressão popular por respostas mais duras do sistema de Justiça e por mudanças na legislação, além de manter o caso de Orelha em evidência nacional. Para os manifestantes, o protesto é um recado de que a violência contra animais não será ignorada.

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