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02 de fevereiro de 2026 - 09h58
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CASO EPSTEIN

Caso Epstein revela conexões com o Brasil em investigação sobre tráfico sexual

Documentos do governo dos EUA citam possível ligação brasileira e atuação de ex-agente de modelos no país

2 fevereiro 2026 - 08h50Daniel Rocha
Documentos liberados pelo governo dos EUA apontam conexões internacionais no caso Jeffrey Epstein.
Documentos liberados pelo governo dos EUA apontam conexões internacionais no caso Jeffrey Epstein. - (Foto: Reprodução/Matrix Media)

Embora o escândalo de tráfico sexual envolvendo o bilionário Jeffrey Epstein seja investigado principalmente nos Estados Unidos, os desdobramentos do caso apontam para conexões internacionais, incluindo o Brasil. Documentos analisados pelo Departamento de Justiça norte-americano indicam que o esquema ultrapassava fronteiras e envolvia agentes e instituições em diferentes países.

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A principal ligação direta entre o caso Epstein e o Brasil envolve o francês Jean-Luc Brunel, ex-agente de modelos considerado um dos principais aliados do bilionário. Acusado de estupro, agressão e assédio sexual, Brunel esteve no Brasil em abril de 2019, poucos meses antes da morte de Epstein, com o objetivo de recrutar modelos para os Estados Unidos.

Fundador da agência de modelos MC2, sediada em Miami e financiada por Epstein, Brunel chegou a ser citado em publicações da MEGA Model Brasília. À época, a agência divulgou uma foto mencionando a visita do empresário para um casting com destino a Nova York. Procurada posteriormente, a empresa afirmou que a passagem de Brunel foi breve, sem agendamento prévio, durou cerca de 15 minutos e não resultou em qualquer recrutamento. A agência declarou ainda que desconhecia o histórico do francês.

Em 2019, uma investigação do jornal The Guardian revelou uma série de denúncias contra Brunel, acusado de levar adolescentes de outros países aos Estados Unidos sob o pretexto de trabalho como modelo, com fins de exploração sexual. Outras três mulheres relataram ao jornal que teriam sido vítimas de abuso sexual cometido por ele nas décadas de 1980 e 1990.

Brunel foi encontrado morto em uma cela em Paris, em 2022. Ele estava preso desde dezembro de 2020, quando foi formalmente acusado de estupro contra menores de idade. A morte ocorreu em circunstâncias semelhantes às de Epstein, que foi encontrado morto em uma cela em Nova York, em 2019.

Além da atuação de Brunel, outros documentos tornados públicos recentemente voltam a mencionar o Brasil no contexto do caso Epstein. No fim do ano passado, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou novos arquivos que incluem um depoimento do FBI com referências a um “grande grupo brasileiro”. O material, citado pela BBC News Brasil, não detalha quem seriam os envolvidos nem a natureza da participação, e grande parte do conteúdo aparece com trechos censurados.

Na sexta-feira (30), o Departamento de Justiça liberou ao público cerca de três milhões de páginas de documentos, além de 180 mil imagens e aproximadamente 2 mil vídeos relacionados ao caso Epstein. Trata-se da maior divulgação de material já feita pelo governo norte-americano sobre o escândalo.

A liberação atende a uma lei aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos e sancionada pelo presidente Donald Trump, que determinava a publicidade total dos arquivos até dezembro do ano passado. A análise do material ainda está em andamento, e novas informações podem surgir à medida que os documentos forem examinados.

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