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Geral

Burocracia afoga a sociedade civil brasileira, afirma El País

7 janeiro 2014 - 10h40
Cassems
Demonstrar que uma pessoa é ela mesma, preencher infinitos formulários, apresentar inúmeros documentos, fazer fila em todas as janelinhas dos órgãos públicos... é uma experiência comum dos cidadãos frente ao Brasil oficial. Herança colonial ou não, a burocracia, tantas vezes baseada na desconfiança do poder sobre a sociedade, demora, encarece e frustra projetos, empresas e inclusive destinos, com aquele trâmite a mais, que muitas vezes é tão absurdo quanto desnecessário.
 
Nos últimos anos, as novas tecnologias vieram para aliviar a situação, mas o problema ainda persiste. "O cartório é a coisa mais burocrática que existe no mundo", afirma Rosana Chiavassa, advogada especialista em defesa do consumidor. Fomos colonizados por portugueses que trouxeram na bagagem a burocracia dos registros e princípios administrativos que legitimariam a doação de bens da Coroa aos primeiros beneficiários.
 
O Brasil é um dos poucos países onde a própria assinatura do cidadão, até os dias de hoje, não vale por si só - ela sempre deve ser "reconhecida" em um cartório para ser válida em quase todos os trâmites cotidianos dos brasileiros e processos administrativos de empresas. A polêmica de longa data foi exposta no começo de dezembro de 2013 pela pesquisadora da Universidade de São Paulo Lygia da Veiga Pereira, profissional que é referência nas pesquisas com células tronco no País. Ela publicou em um blog seu desabafo sobre as dificuldades dos pesquisadores em receber material do exterior. No post, ela lista a burocracia imposta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para liberar amostras do material para pesquisa - que vieram congeladas desde o centro de investigação norte-americano Harvard Stem Cell Institute, para uma pesquisa sobre células tronco.
 
As amostras chegaram em 24 horas ao Brasil, com cinco quilos de gelo seco, o suficiente para mantê-las congeladas por dois dias. Nove dias depois, as células ainda não haviam sido liberadas e se encontravam detidas no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, interior de São Paulo. Como disse Pereira em seu texto, "as preciosas células-tronco podem já ter virado mingau".
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