
O Tribunal Criminal do centro da cidade de Cork, na Irlanda, condenou nesta sexta-feira (23) o brasileiro Miller Pacheco, de 32 anos, à prisão perpétua pelo assassinato da ex-namorada, a também brasileira Bruna Fonseca. O crime ocorreu no dia 1º de janeiro de 2023, no apartamento onde o réu morava.
De acordo com a decisão judicial, Bruna foi morta por estrangulamento após ser agredida fisicamente. Durante o julgamento, Miller aceitou a sentença e pediu desculpas à família da vítima. Segundo o jornal irlandês The Journal, a legislação da Irlanda determina pena obrigatória de prisão perpétua para condenações por homicídio.
Bruna Fonseca tinha 28 anos, era bibliotecária e natural de Formiga, em Minas Gerais, mesma cidade de origem de Miller. Os dois mantiveram um relacionamento por cerca de cinco anos, encerrado em novembro de 2022. Pouco antes do crime, Bruna havia se mudado para a Irlanda, em setembro daquele ano, acompanhada de uma sobrinha mais jovem. Miller chegou ao país europeu em novembro e, dias depois, o relacionamento chegou ao fim.
Durante a leitura da sentença, a juíza Siobhan Lankford destacou uma gravação feita por Bruna em conversa com o réu, na qual ela afirmava que não era um troféu, que tinha sua própria vida e que apenas ela poderia decidir seus rumos. Para a magistrada, Bruna era uma “jovem excepcional” e um “ser humano completo”.
O júri levou apenas uma hora e dois minutos para declarar Miller culpado. Ao fim da audiência, o advogado de defesa, Ray Boland, afirmou que não iria recorrer da decisão e declarou que seu cliente desejava expressar remorso pela “devastação” causada à família da vítima.
Familiares de Bruna acompanharam o julgamento. Estiveram presentes as irmãs Izabel e Fernanda, o primo Marcel e a sobrinha Maria, todos usando camisetas com a imagem da vítima.
Ainda segundo o The Journal, Izabel Fonseca afirmou que a investigação deixou claro que Bruna não teve qualquer responsabilidade pelo ocorrido. O júri rejeitou a versão apresentada por Miller, que alegou ter estrangulado a ex-namorada para impedir que ela o agredisse. “Bruna não era um número. Era uma pessoa com sonhos, planos, risadas e uma vida inteira pela frente”, declarou.
Em depoimento à polícia, Miller disse que imobilizou Bruna com uma chave de estrangulamento no pescoço, movimento que afirmou ter “visto na TV”. A explicação foi rejeitada de forma unânime pelos jurados.
Na noite do crime, Bruna havia participado de uma festa de Ano Novo na Oyster Tavern, em Cork. Em mensagem enviada a Miller, ela afirmou que queria apenas “dançar e se divertir” e buscava “paz e tranquilidade” para a própria vida. Segundo a investigação, Miller a seguiu até o local, filmou-a beijando outro homem e enviou o vídeo para amigos no Brasil.
Mais tarde, Bruna concordou em ir ao apartamento do ex-namorado para realizar uma chamada de vídeo com familiares no Brasil, que cuidavam do cachorro que o casal teve durante o relacionamento. Na manhã seguinte, por volta das 6h30, paramédicos e a polícia foram acionados. Miller foi preso no mesmo dia, sem direito a fiança.
A acusação apontou que moradores do prédio relataram ter ouvido gritos de uma mulher por volta das 4h15 da madrugada. A perícia confirmou que Bruna foi estrangulada e espancada.

