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Brasil reafirma apoio à soberania do Panamá sobre o Canal e adere a tratado de neutralidade

Lula e presidente do Panamá discutem parceria em temas regionais e celebram acordo de venda de caças A-29 SuperTucano

28 agosto 2025 - 19h45Fellipe Frazão
Embarcação passa pelo Canal do Panamá, perto da Cidade do Panamá, no dia 24 de agosto.
Embarcação passa pelo Canal do Panamá, perto da Cidade do Panamá, no dia 24 de agosto. - (Foto: Martin Bernetti/AFP)
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 28, que o Brasil apoia integralmente a soberania do Panamá sobre o Canal, um território de grande importância estratégica, e reafirmou o compromisso do país com a neutralidade da infraestrutura. A declaração foi feita durante uma visita oficial do presidente do Panamá, José Raúl Mulino, ao Palácio do Planalto.

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Lula destacou que o Panamá conquistou sua autonomia sobre o Canal após uma longa luta e que o país administra a passagem estratégica de forma eficiente desde 1999, respeitando a neutralidade que garante o trânsito seguro de navios de todas as origens. O Brasil, segundo o presidente, se juntará a mais de 140 países que já assinaram o tratado de neutralidade permanente do Canal.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participa de assinaturas de atos ao lado do presidente do Panamá, José Raul Mulino, em Brasília.O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participa de assinaturas de atos ao lado do presidente do Panamá, José Raul Mulino, em Brasília. - (Foto: Wilton Junior/Estadão)

O tema ganhou relevância após ameaças feitas por Donald Trump, que sugeriu a retomada do controle do Canal, construído em parceria com os Estados Unidos. Trump acusou o Panamá de favorecer empresas chinesas e cobrar tarifas elevadas das americanas. Como resposta, o Panamá retirou-se da iniciativa chinesa da Nova Rota da Seda, o que gerou tensões na região.

Durante a visita, Lula também falou sobre os desafios enfrentados pela América Latina e o Caribe, alertando para as "ameaças de ingerência" que pressionam as democracias e comprometem o comércio internacional. O presidente brasileiro reforçou a importância de um continente integrado, autônomo e comprometido com o multilateralismo. Mulino concordou, dizendo que a região vive um momento crítico, mas que o Panamá defende a liberdade e a autodeterminação de seus povos.

Lula também reagiu ao envio de uma frota naval dos Estados Unidos ao Caribe, sob a justificativa de combater o tráfico de drogas, mas que, segundo ele, gerou pressões sobre a Venezuela e violou princípios da Carta das Nações Unidas. Para o presidente, a luta contra o crime organizado não deve ser usada como pretexto para ameaças e uso indevido de força.

O presidente do Panamá, Jose Raul Mulino, cumprimenta o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, em Brasília.O presidente do Panamá, Jose Raul Mulino, cumprimenta o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, em Brasília.- (Foto: Eraldo Peres/AP)

No campo ambiental, Lula convidou Mulino para participar da COP-30, que será realizada em Belém (PA) e será, segundo o presidente brasileiro, a "COP da verdade". O evento tem como objetivo destacar as verdadeiras intenções dos líderes globais em relação à mudança climática.

Por fim, Lula e Mulino celebraram o acordo para a venda de quatro caças A-29 Super Tucano, fabricados pela Embraer, ao Serviço Nacional Aeronaval do Panamá. O anúncio do acordo foi feito pelos dois presidentes, que posaram com miniaturas dos aviões.

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