
O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que monitora a possibilidade de aumento no fluxo de refugiados venezuelanos para o Brasil após a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, realizada neste sábado (3). O governo brasileiro avalia os impactos diretos da crise, especialmente na fronteira com Roraima, principal porta de entrada de migrantes no país.
Segundo a pasta, o acompanhamento ocorre dentro das atribuições do órgão diante de um eventual crescimento da entrada de venezuelanos pela cidade de Pacaraima, no Norte do estado. A fronteira entre Brasil e Venezuela concentra a maior parte dos deslocamentos de pessoas que fogem da crise no país vizinho.
Diante do agravamento da situação, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou uma reunião de emergência neste sábado para discutir o cenário político e os reflexos humanitários no território brasileiro. O encontro será realizado no Palácio do Itamaraty, em Brasília.
A Venezuela enfrenta uma crise política, econômica e social prolongada. De acordo com dados da Plataforma Regional de Coordenação Interagencial R4V, o Brasil é o terceiro país da América Latina que mais recebeu refugiados e migrantes venezuelanos, atrás apenas da Colômbia e do Peru. Roraima segue como o principal ponto de entrada desses migrantes em busca de melhores condições de vida.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também se manifestou sobre os possíveis impactos do conflito, afirmando que a ofensiva americana pode pressionar ainda mais o sistema de saúde na região de fronteira. Segundo ele, o SUS em Roraima já absorve reflexos da situação venezuelana.
Padilha afirmou que, desde o início das operações militares no entorno do país vizinho, equipes da Agência do SUS, da Força Nacional do SUS e da Saúde Indígena foram mobilizadas para reduzir os impactos do conflito na saúde pública brasileira.
Ataque dos EUA - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que forças americanas realizaram um ataque de grande escala em território venezuelano e capturaram o presidente Nicolás Maduro. A declaração foi feita em uma rede social. Segundo Trump, Maduro e a esposa teriam sido retirados do país por via aérea, mas o destino não foi informado.
A operação foi confirmada pelo governo venezuelano. A vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, declarou não saber onde Maduro está e exigiu do governo americano uma prova de vida do presidente.
Na madrugada deste sábado, uma sequência de explosões foi registrada em Caracas, capital da Venezuela. De acordo com a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo aproximado de 30 minutos.
