
Os governos do Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram neste domingo (4) um posicionamento conjunto sobre a situação da Venezuela, no qual demonstram preocupação com os desdobramentos do ataque militar realizado pelos Estados Unidos e pedem a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU) para reduzir as tensões na região.
O comunicado, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, alerta para o risco de controle ou apropriação externa de recursos naturais venezuelanos. Segundo o texto, esse tipo de iniciativa é incompatível com o direito internacional e representa uma ameaça à estabilidade política, econômica e social da América Latina e do Caribe.
“Manifestamos nossa preocupação diante de qualquer tentativa de controle governamental, de administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos, o que se mostra incompatível com o direito internacional e ameaça a estabilidade política, econômica e social da região”, afirma o documento.
O grupo de países atua de forma informal e ad hoc, criado especificamente para tratar da crise venezuelana, sem caráter permanente ou institucionalizado.
Apelo por desescalada e unidade regional - No posicionamento, os seis governos destacam o compromisso histórico da América Latina e do Caribe como uma zona de paz e fazem um apelo à unidade regional, independentemente de divergências políticas entre os países.
A declaração reforça que a situação na Venezuela deve ser resolvida exclusivamente por meios pacíficos, sem interferências externas, e com respeito à vontade do povo venezuelano. Para os signatários, apenas um processo político inclusivo, conduzido internamente, pode levar a uma solução duradoura.
“Reafirmamos que apenas um processo político inclusivo, liderado pelas venezuelanas e pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática, sustentável e respeitosa da dignidade humana”, diz o texto.
Os países também avaliam que as ações militares unilaterais realizadas no território venezuelano representam um precedente perigoso para a paz regional e para a ordem internacional baseada em normas, além de colocarem em risco a população civil.
Reações após ofensiva americana - A manifestação ocorre após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante uma operação militar dos Estados Unidos na madrugada do último sábado. Maduro foi indiciado pela Justiça americana por acusações de narcoterrorismo e outros crimes.
No sábado, durante uma coletiva de imprensa na Flórida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo pretende administrar a Venezuela até que uma transição política seja concluída, declaração que provocou reações imediatas de líderes da região.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os bombardeios em território venezuelano e a captura do chefe de Estado ultrapassam uma linha que classificou como “inaceitável”. Em sentido oposto, o presidente da Argentina, Javier Milei, compartilhou uma notícia sobre o ataque nas redes sociais e comemorou a ação americana.
CELAC entra no debate - Além do posicionamento conjunto, está prevista para esta segunda-feira uma reunião de ministros das Relações Exteriores no âmbito da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC). O bloco reúne permanentemente 33 países da região e deve discutir os impactos políticos, diplomáticos e humanitários da crise venezuelana.
O encontro é visto como uma tentativa de ampliar o diálogo regional e buscar uma resposta coordenada diante do novo cenário, em meio à pressão internacional e à escalada de declarações envolvendo o futuro político e econômico da Venezuela.

