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ORIENTE MÉDIO

Atos pró-regime ganham força no Irã em meio a protestos e ameaça dos EUA

Governo iraniano reage a distúrbios violentos enquanto especialistas avaliam impacto geopolítico e isolamento dos atos antigoverno

12 janeiro 2026 - 14h40
Apoiadores da República Islâmica foram às ruas do Irã em atos contra os distúrbios e em defesa da soberania nacional
Apoiadores da República Islâmica foram às ruas do Irã em atos contra os distúrbios e em defesa da soberania nacional - Foto: Freepik

Milhares de pessoas foram às ruas do Irã neste domingo (11) e na segunda-feira (12) em manifestações de apoio ao regime da República Islâmica. Os atos ocorreram em meio a uma sequência de protestos antigovernamentais que vêm sacudindo o país desde dezembro do ano passado e que, segundo levantamentos não oficiais, já resultaram na morte de 490 manifestantes e 48 agentes das forças de segurança.

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As mobilizações pró-regime tiveram como foco a crítica aos distúrbios registrados nos últimos dias e reforçaram o discurso oficial de defesa da soberania nacional diante do que o governo iraniano classifica como interferência estrangeira. O contexto ganhou ainda mais tensão após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriu a possibilidade de uma invasão ao Irã para “ajudar” os manifestantes.

Desde o início da onda de protestos, motivada inicialmente por questões econômicas, o governo iraniano tem divulgado vídeos que mostram grupos armados e encapuzados em meio às manifestações. Segundo Teerã, essas imagens comprovam atos de vandalismo, ataques a prédios públicos, carros e bloqueios de vias, além de disparos de armas de fogo, o que sustentaria a tese de sabotagem organizada com apoio externo.

Para o jornalista, cientista político e professor de relações internacionais Bruno Lima Rocha, o cenário mudou de forma significativa ao longo das últimas semanas. Segundo ele, o que começou como um protesto legítimo contra o aumento do custo de vida acabou sendo deslocado para um terreno de ameaça externa.

“Diante de uma questão de soberania, a população foi convocada pelas forças que compõem a República, e isso explica essa multidão nas ruas”, afirmou Rocha, que também é editor da Hispan TV Brasil, veículo iraniano sediado no Brasil.

Na avaliação do especialista, a escalada da violência e as declarações do presidente norte-americano contribuíram para isolar os protestos antigovernamentais perante parte significativa da população iraniana. “Parece que há um incentivo para elevar o nível de violência e, quem sabe, criar um cenário para um novo ataque ao país. Isso isola o protesto e passa a ideia de traição nacional, criando um consenso contra os distúrbios”, completou.

No domingo (11), Donald Trump afirmou que os militares dos Estados Unidos analisam possíveis ações em relação ao Irã e que uma reunião com lideranças de Teerã deve ser marcada. “Os militares estão avaliando, e estamos considerando algumas opções muito sólidas. Talvez tenhamos que agir antes da reunião”, disse o presidente a jornalistas.

Nesta segunda-feira, o Ministério das Relações Exteriores do Irã convocou embaixadores de países que declararam apoio aos protestos. Durante o encontro, autoridades exibiram vídeos que, segundo o governo, mostram manifestantes armados atirando durante os atos e promovendo ações de vandalismo. Teerã sustenta que os episódios ultrapassam os limites do protesto pacífico e caracterizam sabotagem organizada.

Em entrevista à televisão estatal, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que manifestações pacíficas são toleradas no país, mas classificou os episódios recentes como ações conduzidas por “terroristas do estrangeiro”. Segundo ele, agentes de segurança foram mortos de forma violenta durante os confrontos. “Alguns policiais foram baleados, alguns decapitados, outros queimados vivos. Lojas e mercados foram destruídos”, declarou.

Autoridades iranianas atribuem a instigação dos distúrbios aos serviços de inteligência dos Estados Unidos e de Israel, a CIA e o Mossad. O governo sustenta que o objetivo seria provocar uma nova guerra, após o fracasso de tentativas anteriores de enfraquecer o regime da República Islâmica, incluindo o conflito do ano passado, quando o Irã foi bombardeado por forças norte-americanas e israelenses.

No campo econômico, Bruno Lima Rocha lembra que os protestos tiveram início após o fim dos subsídios para a importação de alimentos, medida que elevou a inflação e pressionou o custo de vida. “Era um protesto econômico, dentro das regras do jogo da república. A repressão no começo foi pequena, quase inexistente”, explicou.

Com o passar do tempo, segundo o analista, fatores como a atuação de grupos separatistas, a frustração de parte da juventude e interesses externos passaram a influenciar o rumo das manifestações. Para ele, a pressão internacional sobre o Irã tem raízes geopolíticas mais profundas. “Enquanto o Irã não se subordinar à hegemonia do Ocidente, continuará sendo visto como alvo permanente”, concluiu.

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