
Marcados para este fim de semana, atos em quase todas as capitais brasileiras e em cidades do interior pretendem transformar em mobilização de rua a indignação pela morte do cão Orelha. As manifestações têm como objetivo pressionar por justiça e pela responsabilização dos envolvidos no caso, que ocorreu em Florianópolis e levou à abertura de investigação contra quatro adolescentes suspeitos de agredir o animal de forma violenta.
A agenda de protestos se espalha por diferentes regiões do País, com horários e pontos de concentração já definidos. Em comum, os atos trazem a mesma mensagem: cobrar que as autoridades conduzam o caso até o fim e que os responsáveis sejam punidos dentro da lei.
Em São Paulo, a manifestação está marcada para domingo, 1º de fevereiro, a partir das 10h. O ponto de encontro será o vão livre do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), na região da Bela Vista, um dos locais mais simbólicos da capital paulista para protestos e reuniões públicas.
A expectativa é de que o ato reúna moradores da cidade e também pessoas que se sensibilizaram com o caso do cão Orelha e queiram se posicionar contra a violência praticada contra animais. A escolha do Masp como local de concentração reforça o caráter de visibilidade da manifestação, já que a avenida Paulista costuma ser palco de diferentes mobilizações ao longo do ano.
Além da capital, o interior paulista também terá uma atividade voltada ao caso. Em Sorocaba, a manifestação está prevista para começar às 9h de domingo, no Pet Place do Parque Campolim. A presença de um espaço voltado para animais como ponto de encontro dá ao ato um tom ainda mais ligado à causa da proteção animal.
No Rio de Janeiro, estão programadas duas caminhadas no domingo. A primeira começa às 10h, no Aterro do Flamengo. O grupo deve se reunir em frente ao Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, na Glória, e seguir em direção ao Copacabana Palace, em Copacabana.
O trajeto, que liga a região central e de lazer da cidade até um dos pontos turísticos mais conhecidos do País, deve chamar a atenção de quem estiver circulando pela orla e pelas vias de acesso. Ao longo do caminho, a manifestação pretende reforçar o pedido de justiça no caso Orelha e se somar às ações realizadas em outras cidades.
A segunda caminhada está marcada para as 16h de domingo. Dessa vez, o ponto de partida será o Posto 2 de Copacabana, com deslocamento até o final da Praia do Leme. Assim, o Rio terá dois momentos distintos durante o dia destinados a dar visibilidade ao caso, em horários que costumam ter grande concentração de pessoas na orla.
Em Brasília, a mobilização ocorre no sábado, 31, um dia antes da maioria dos atos programados pelo País. O encontro está marcado para as 16h no Parque Dog, localizado no Setor Sudoeste.
A manifestação na capital federal é organizada pela Associação Apdog, que orientou os participantes a comparecerem vestidos de preto. A escolha da cor costuma simbolizar luto e protesto, reforçando o caráter de indignação pela morte do cão Orelha. A entidade também busca, com o ato, somar a voz de moradores de Brasília às cobranças por esclarecimentos e responsabilização no caso.
Florianópolis, cidade onde o cão Orelha foi agredido e acabou morrendo, também terá manifestação neste domingo. O ato está marcado para as 10h, no trapiche da Avenida Beira Mar Norte, região central da capital catarinense.
O local escolhido é um dos pontos mais conhecidos da cidade, às margens da avenida que concentra grande fluxo de veículos e pedestres. A ideia é que a manifestação seja vista por quem circula pela região e ajude a manter o caso em evidência enquanto as investigações seguem em andamento.
No Nordeste, Salvador também integra o mapa de atos. Na capital baiana, a manifestação está prevista para começar às 10h de domingo, no Farol da Barra, outro ponto emblemático e de grande movimentação de moradores e turistas.
Com isso, as mobilizações se dividem entre cidades onde os protestos costumam ganhar grande repercussão e locais diretamente ligados à rotina da população, como parques, avenidas e áreas de lazer.
Orelha morreu no início do mês após sofrer agressões na região da cabeça. De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), as lesões foram tão graves que o animal precisou ser submetido à eutanásia durante o atendimento veterinário que tentava reverter seu quadro clínico.
A descrição do MPSC indica que a violência teria sido intensa a ponto de comprometer de forma irreversível a saúde do cão. A eutanásia, nesse contexto, foi adotada como medida para evitar ainda mais sofrimento, já que o quadro clínico não apresentava chances de recuperação.
A Polícia Civil tomou conhecimento do caso em 16 de janeiro. A partir daí, iniciou os procedimentos formais de investigação para apurar as circunstâncias das agressões e identificar os envolvidos.
Atualmente, quatro adolescentes são investigados por supostamente terem agredido o cão Orelha de forma violenta, com intenção de causar sua morte. Segundo as informações do caso, parte das agressões teria se concentrado na cabeça do animal, o que ajuda a explicar a gravidade das lesões identificadas pelos profissionais de saúde que prestaram atendimento.
Por se tratar de adolescentes, o caso segue o rito previsto na legislação que trata de atos infracionais cometidos por menores de idade. A investigação busca reunir provas e depoimentos que possam esclarecer como as agressões ocorreram, qual foi a participação de cada um dos suspeitos e em que contexto o episódio se deu.
Na última segunda-feira, 26, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos suspeitos. Ninguém foi preso durante a ação, que teve como foco a coleta de materiais e possíveis evidências ligadas ao caso.
Dois dos adolescentes investigados estavam nos Estados Unidos. Na quinta-feira, 29, ao desembarcarem no Aeroporto Internacional de Florianópolis, eles tiveram celulares e roupas apreendidos pela Polícia Civil. O objetivo é analisar os aparelhos e pertences em busca de elementos que possam contribuir para o esclarecimento dos fatos.
A defesa dos suspeitos informou que o retorno dos jovens ao Brasil foi articulado com os policiais responsáveis pelo caso. Também confirmou que eles entregaram voluntariamente os telefones e outros pertences às autoridades em uma sala restrita do aeroporto. Os adolescentes foram intimados a prestar depoimento, etapa considerada importante para a reconstrução da dinâmica dos acontecimentos que levaram à morte de Orelha.

