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INTERNACIONAL

Atirador planejou por anos ataque que matou estudantes e professor, diz Justiça dos EUA

Português deixou vídeos confessando crimes após os ataques, mas não revelou motivação

7 janeiro 2026 - 07h39Associated Press
Claudio Neves Valente foi capturado
Claudio Neves Valente foi capturado - (Foto : Divulgação CP)

O homem identificado como autor dos ataques a tiros que deixaram dois estudantes mortos na Universidade Brown, além do assassinato de um professor do MIT, planejou os crimes durante anos e deixou vídeos nos quais confessava as mortes, sem explicar os motivos. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (6) pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

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O atirador foi identificado como Claudio Neves Valente, de 48 anos, cidadão português e ex-aluno da Universidade Brown. Ele foi encontrado morto em um depósito em New Hampshire, no dia 18 de dezembro, dias após cometer os ataques.

Segundo as autoridades, em 13 de dezembro, Neves Valente abriu fogo em um prédio de engenharia da Universidade Brown, matando dois estudantes e ferindo outras nove pessoas. Dois dias depois, em 15 de dezembro, ele matou o professor do MIT Nuno Loureiro dentro da casa da vítima, no subúrbio de Brookline, em Boston.

Durante a perícia no local onde o corpo do atirador foi encontrado, o FBI apreendeu um dispositivo eletrônico contendo uma série de vídeos gravados pelo próprio Neves Valente após os ataques. Nas gravações, feitas em português, ele admite que vinha planejando o atentado havia pelo menos seis semestres, mas não revela por que escolheu a Universidade Brown nem o professor do MIT como alvos.

Em transcrição oficial traduzida para o inglês e divulgada pelo Departamento de Justiça, Neves Valente afirmou que não acreditava ter motivos para pedir desculpas. “Não vou pedir desculpas porque durante toda a minha vida ninguém me pediu desculpas sinceramente”, disse em um dos vídeos.

O atirador também negou rumores que circularam nas redes sociais após o ataque, segundo os quais ele teria gritado frases em árabe ao entrar no auditório. Neves Valente afirmou que não fala árabe e que não pretendia fazer qualquer tipo de declaração simbólica durante o crime.

Em outro trecho, ele comentou falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que durante as buscas declarou esperar que as autoridades capturassem “esse animal”. “Sou um animal e ele também”, disse Neves Valente, acrescentando que não sentia amor nem ódio pelos Estados Unidos.

Ainda nos vídeos, o atirador afirmou que não se considerava doente mental, disse que não queria fama e negou que as gravações fossem um manifesto. Segundo ele, seu objetivo era encerrar a própria vida “em seus próprios termos” e evitar sofrer consequências maiores.

As vítimas fatais do ataque na Brown foram a estudante do segundo ano Ella Cook, de 19 anos, e o calouro Mukhammad Aziz Umurzokov, de 18. O professor Nuno Loureiro, morto dias depois, havia estudado com Neves Valente em Portugal entre 1995 e 2000, no Instituto Superior Técnico, principal escola de engenharia do país.

Durante os dias de buscas pelo suspeito, uma testemunha teve papel decisivo ao reconhecer Neves Valente e fornecer informações à polícia após imagens do atirador serem divulgadas. Segundo o próprio Neves Valente relatou nos vídeos, ele ficou surpreso com o tempo que as autoridades levaram para localizá-lo.

A Universidade Brown afirmou em comunicado que a tragédia continua impactando profundamente a comunidade acadêmica e reiterou solidariedade às famílias das vítimas e apoio aos feridos.

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