Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
08 de janeiro de 2026 - 16h07
senai
CONFLITO INTERNACIONAL

Ataque dos EUA à Venezuela deixa ao menos 58 mortos e ainda não tem balanço oficial

Governo venezuelano não divulga números consolidados após ação que resultou na captura de Maduro

7 janeiro 2026 - 14h15
Cerimônia homenageia soldados venezuelanos mortos após ataque militar dos Estados Unidos ao país
Cerimônia homenageia soldados venezuelanos mortos após ataque militar dos Estados Unidos ao país - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

Cinco dias após a ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, o governo de Nicolás Maduro ainda não divulgou um balanço oficial sobre o total de mortos, feridos ou a dimensão dos danos causados pelos ataques. A ação, que teve como objetivo declarado retirar Maduro do poder, atingiu Caracas e os estados de Aragua, La Guaira e Miranda.

Canal WhatsApp

As informações confirmadas até a noite desta terça-feira (6) indicam que ao menos 58 pessoas morreram no último sábado (3), data em que tropas estadunidenses invadiram o território venezuelano, bombardearam pontos estratégicos e capturaram o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cília Flores. O casal foi levado à força para um centro de detenção temporária em Nova York, nos Estados Unidos.

Segundo dados divulgados por autoridades e veículos internacionais, a chamada Operação Resolução Absoluta resultou na morte de 32 militares cubanos que integravam a segurança presidencial, além de 24 integrantes do Exército venezuelano. Pelo menos duas vítimas civis já foram identificadas oficialmente.

Uma delas é Rosa Elena Gonzáles, de 80 anos, moradora de La Guaira, que vivia nas proximidades da Academia Militar da Armada Bolivariana. Conforme relatos da imprensa venezuelana e da agência EFE, a casa da idosa foi atingida durante os bombardeios. Ela foi socorrida em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos. O sepultamento ocorreu na segunda-feira (5), acompanhado por familiares, amigos e jornalistas.

A segunda vítima civil identificada é a colombiana Yohana Rodríguez Sierra, de 45 anos. A confirmação da morte foi feita também na segunda-feira pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Em publicação nas redes sociais, Petro criticou duramente a ação militar dos Estados Unidos.

“Ao bombardear [a Venezuela], assassinaram uma mãe colombiana”, escreveu o presidente colombiano, ao responsabilizar diretamente o governo de Donald Trump. Segundo a imprensa da Colômbia, a casa onde Yohana morava com a filha, Ana Corina Morales, em uma área residencial de El Hatillo, no estado de Miranda, foi atingida por um míssil, possivelmente direcionado a estruturas de telecomunicações. Yohana vivia há mais de dez anos na Venezuela e mantinha um pequeno comércio.

Nesta terça-feira (6), a Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb) realizou uma cerimônia em homenagem aos 24 soldados venezuelanos mortos durante a operação, que, segundo o governo local, ocorreu sem autorização do Congresso dos Estados Unidos e sem aval do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Também no mesmo dia, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba publicou uma mensagem nas redes sociais com fotos dos 32 militares cubanos mortos. Na nota, o governo cubano afirmou que os combatentes “morreram cumprindo um dever sagrado” e classificou a ofensiva dos Estados Unidos como um “ato covarde e criminoso de terrorismo de Estado”.

Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump comentou o episódio durante um evento com parlamentares de seu partido. Sem detalhar números, afirmou que muitas pessoas morreram “do outro lado”, incluindo cubanos, e destacou que não houve baixas entre os militares dos EUA. “Foi um ataque brilhante taticamente”, declarou.

Além dos ataques em solo venezuelano, o conflito se estende ao Mar do Caribe. Segundo reportagem do jornal The New York Times, desde setembro de 2025, ao menos 115 pessoas morreram após bombardeios a 35 embarcações que os Estados Unidos alegam, sem apresentar provas, estarem envolvidas com o tráfico internacional de drogas. Caso os dados sejam confirmados, o número total de mortos na ofensiva regional pode chegar a 173 em menos de cinco meses.

Vídeos divulgados pelo próprio Departamento de Defesa dos Estados Unidos mostram que, na maioria dos casos, as embarcações atacadas não tiveram oportunidade de rendição. Entre as vítimas está o colombiano Alejandro Carranza, de 42 anos, morto em setembro de 2025, quando seu barco foi atingido por um míssil.

Autoridades norte-americanas alegaram que a embarcação transportava drogas, versão negada pela família. Segundo parentes, Carranza havia saído da região de La Guajira, na fronteira com a Venezuela, para pescar. Em novembro, o presidente Gustavo Petro nomeou seu advogado pessoal nos Estados Unidos, Dan Kovalik, para representar a família em uma ação apresentada à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) contra o governo norte-americano.

O caso amplia a pressão internacional sobre a atuação militar dos Estados Unidos na região e reforça o debate sobre os limites legais e humanitários das operações conduzidas sob o argumento de combate ao narcotráfico.

Assine a Newsletter
Banner Whatsapp Desktop