aguas
IMPOSTO

Alíquota do IPTU aplicada em condomínios pode estar em desacordo com decisões judiciais

Estudo indica que tributo em Campo Grande desconsidera limitações de uso de áreas comuns e sugere revisão dos critérios

29 agosto 2025 - 10h55Redação
Estudo técnico aponta que cobrança de IPTU em condomínios de Campo Grande pode contrariar decisões do TJMS
Estudo técnico aponta que cobrança de IPTU em condomínios de Campo Grande pode contrariar decisões do TJMS - (Foto: Divulgação)
ENERGISA

Um estudo técnico apresentado nesta sexta-feira (29) durante audiência pública na Câmara Municipal de Campo Grande aponta que a cobrança de IPTU em condomínios pode estar em desacordo com a jurisprudência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

Canal WhatsApp

Elaborado pelo urbanista e perito judicial Wellington Villa Nova, o material detalha casos em que a alíquota de 3,5% tem sido aplicada mesmo quando os próprios moradores são responsáveis pela infraestrutura urbana, como pavimentação, drenagem e iluminação — o que, segundo decisões do TJMS, justificaria a aplicação da alíquota reduzida de 1%.

“Há entendimento de que, quando o poder público não fornece infraestrutura ao imóvel, não se justifica a alíquota máxima”, disse o perito durante sua exposição.

O estudo também critica a metodologia da Planta Genérica de Valores (PGV), apontando distorções no valor venal atribuído a terrenos em condomínios e a ausência de critérios objetivos para considerar áreas com restrição de uso, como espaços de preservação ou de convivência. Em um dos exemplos apresentados, 70% da área de um empreendimento é dedicada à drenagem e à praça de uso coletivo, mas toda a metragem foi incluída no cálculo do imposto.

A análise sugere ainda que o valor do IPTU representa um peso maior na renda de moradores de bairros populares, ao comparar diferentes regiões com base em dados do Censo de 2010. Em alguns casos, a diferença no valor do metro quadrado de imóveis semelhantes chega a ser 14 vezes maior.

Entre as recomendações do perito estão a revisão da PGV, a aplicação proporcional de alíquotas segundo a infraestrutura oferecida pelo município e a exclusão de áreas restritas do cálculo do valor venal. O estudo também aponta a necessidade de critérios normatizados para a avaliação de imóveis e o respeito às datas de individualização da cobrança.

A audiência pública faz parte de uma série de debates sobre a política tributária municipal e ocorre em meio a críticas de moradores e lideranças comunitárias quanto ao aumento e à distribuição do imposto na capital sul-mato-grossense.

Assine a Newsletter
Banner Whatsapp Desktop

Deixe seu Comentário

Veja Também

Mais Lidas