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16 de fevereiro de 2026 - 11h01
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GERAL

Crimes digitais no carnaval: como evitar invasões, golpes e deepfakes

Advogada explica riscos em redes sociais e apps de namoro e orienta como reunir provas e buscar responsabilização

16 fevereiro 2026 - 09h10Redação
Especialistas alertam que exposição nas redes durante o carnaval pode facilitar golpes e invasões digitais
Especialistas alertam que exposição nas redes durante o carnaval pode facilitar golpes e invasões digitais - (Foto: Marcello Casal Jr/EBC)

O carnaval é tempo de festa, mas também pode se transformar em oportunidade para criminosos digitais. Imagens feitas sem autorização, invasões de redes sociais, golpes em aplicativos de relacionamento e o uso de inteligência artificial para criar conteúdos falsos estão entre os principais riscos apontados pela advogada Maria Eduarda Amaral, especialista em Direito Digital e Propriedade Intelectual.

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Segundo ela, qualquer conteúdo publicado na internet pode ser manipulado ou utilizado de forma indevida. Por isso, a exposição nas redes sociais, especialmente durante eventos como o carnaval, exige cautela redobrada.

“Hoje, qualquer conteúdo que você posta na internet está suscetível a manipulações e utilizações indevidas”, afirmou à Agência Brasil.

Entre as principais recomendações está evitar postagens em tempo real que revelem a localização exata da pessoa. A advogada alerta que símbolos em roupas, uniformes ou objetos que identifiquem faculdade, trabalho ou rotina facilitam a ação de golpistas.

Ela cita como exemplo jovens que saem da faculdade, ainda com símbolos da instituição, e publicam fotos já no bloco ou na festa. Para quem pretende aplicar um golpe, essas informações ajudam a mapear a rotina da vítima.

O risco aumenta porque, durante a folia, a pessoa tende a estar menos atenta. Nesse intervalo, boatos, montagens ou até invasões podem se espalhar rapidamente, dificultando uma reação imediata.

No último carnaval, segundo a advogada, uma das ocorrências mais comuns foi a invasão de redes sociais. Muitas vítimas acessaram redes Wi-Fi públicas inseguras ou clicaram em links suspeitos enviados por SMS ou aplicativos de mensagem. Em alguns casos, chegaram a compartilhar códigos recebidos no celular.

O resultado são golpes financeiros, com acesso indevido a contas e uso fraudulento de dados.

Outro problema crescente é o uso de inteligência artificial para criar imagens falsas de nudez, os chamados deepnudes. Fotos de foliões fantasiados são manipuladas digitalmente, especialmente quando envolvem mulheres com fantasias e adereços típicos do carnaval.

Essas montagens configuram uso indevido de imagem e podem gerar responsabilização civil e criminal.

As deepfakes, explica a advogada, utilizam tecnologia capaz de sobrepor rostos e vozes em vídeos, sincronizando movimentos labiais e expressões faciais para criar conteúdos que se assemelham a pessoas reais.

Perigo nos aplicativos de relacionamento - Aplicativos como Tinder, Happn e Inner Circle também exigem atenção. Golpistas utilizam fotos de pessoas reais, muitas vezes manipuladas por inteligência artificial, para criar perfis falsos e conquistar a confiança da vítima.

Depois do “match”, o objetivo pode ser marcar encontros em locais isolados, onde há risco de roubo, furto ou até sequestro.

Maria Eduarda recomenda levantar o máximo de informações antes de qualquer encontro. Conferir redes sociais, verificar se a pessoa realmente está na mesma cidade e observar se as informações batem com o que foi dito são medidas importantes.

Ela sugere, inclusive, pesquisar o nome em sites jurídicos para verificar possíveis antecedentes públicos.

A videochamada pode funcionar como etapa adicional de verificação, mas também exige cuidado. A orientação é não se aproximar excessivamente da câmera e evitar qualquer exposição íntima. “É essencial prestar atenção em qualquer movimentação suspeita durante a chamada”, destaca.

Mesmo com todas as verificações, o encontro deve ocorrer sempre em local público.

Em casos de golpe, as capturas de tela são consideradas provas digitais válidas para investigações e processos judiciais.

A advogada recomenda registrar conversas, número de telefone, perfil do aplicativo, fotos e até chamadas de vídeo. O ideal é compartilhar essas informações com alguém de confiança.

Golpistas costumam apagar perfis e descartar números após a fraude, o que dificulta a identificação posterior. Manter registros desde o início facilita a construção de uma linha do tempo e ajuda na investigação.

Responsabilização é possível - As vítimas podem buscar reparação civil e, quando identificado o autor, também responsabilização criminal.

Em casos de invasão bancária, por exemplo, pode haver responsabilidade do banco pela fraude. Já quem recebe valores provenientes de golpe também pode responder pelo crime.

No caso de deepfakes e perfis falsos, a advogada afirma que as plataformas podem ser responsabilizadas solidariamente. Se não houver identificação do usuário, a responsabilidade pode recair sobre a própria empresa. Quando o autor é identificado, ele pode responder civil e criminalmente, enquanto a plataforma pode responder na esfera cível.

Por fim, Maria Eduarda reforça que não há motivo para constrangimento. “Não existe vergonha em ser vítima. Todos nós podemos passar por esse tipo de situação.”

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