
O ano de 2025 foi um dos três mais quentes já registrados nos últimos 176 anos, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (14) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU). A análise consolida dados de oito bases internacionais e reforça a tendência de aquecimento global persistente, mesmo com a influência do fenômeno La Niña ao longo do ano.
De acordo com a OMM, os três últimos anos — 2023, 2024 e 2025 — figuram como os mais quentes da série histórica. Em dois dos bancos de dados analisados, 2025 aparece como o segundo ano mais quente, enquanto nos outros seis ocupa a terceira posição. O resultado confirma que o aquecimento global segue em ritmo acelerado.
A temperatura média global da superfície em 2025 ficou 1,44°C acima da média do período pré-industrial, entre 1850 e 1900, com margem de incerteza de aproximadamente 0,13°C. Já a média dos últimos três anos atingiu 1,48°C acima do nível pré-industrial, aproximando-se do limite estabelecido pelo Acordo de Paris.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial, os dados mostram uma tendência de longo prazo clara. Desde 2015, os últimos 11 anos consecutivos bateram recordes de temperatura, sem sinais de desaceleração. Nem mesmo o resfriamento temporário provocado pelo La Niña foi suficiente para conter a elevação das médias globais.
“O ano de 2025 começou e terminou sob influência do La Niña e, ainda assim, foi um dos mais quentes já registrados globalmente, em razão do acúmulo de gases de efeito estufa que retêm calor na atmosfera”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.
Ela ressaltou que o aumento das temperaturas, tanto em terra quanto nos oceanos, impulsionou a ocorrência de eventos climáticos extremos ao longo do ano, como ondas de calor prolongadas, chuvas intensas e ciclones mais frequentes e severos. Diante desse cenário, a OMM reforça a necessidade de ampliar sistemas de alerta precoce e estratégias de adaptação.
Outro estudo divulgado também nesta quarta-feira, elaborado pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, em parceria com a organização Berkeley Earth, dos Estados Unidos, indica que não há perspectiva de alívio no curto prazo. As projeções apontam que 2026 deve manter o padrão de temperaturas elevadas, reforçando o desafio global no combate às mudanças climáticas.
Há dez anos, mais de 190 países assinaram o Acordo de Paris, comprometendo-se a adotar medidas para limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. No entanto, no fim do ano passado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que ultrapassar esse limite nos próximos anos se tornou praticamente inevitável, caso não haja mudanças estruturais profundas.
Os oceanos desempenham papel central no sistema climático, absorvendo cerca de 90% do excesso de calor gerado pelo aquecimento global. Um estudo internacional publicado em 2026 revelou que a temperatura média global da superfície do mar em 2025 ficou 0,49°C acima da média registrada entre 1981 e 2010, classificando o ano como o terceiro mais quente da história para os oceanos.
Os dados indicam que aproximadamente 33% da área oceânica global esteve entre as três condições mais quentes já registradas entre 1958 e 2025. Cerca de 57% ficou entre as cinco mais quentes, incluindo regiões como o Atlântico Tropical Sul, que banha a costa brasileira, o mar Mediterrâneo e o oceano Índico Norte.
Para os especialistas, esses números refletem o acúmulo contínuo de calor no sistema climático e ajudam a explicar a intensificação de fenômenos extremos em diferentes partes do planeta, com impactos diretos sobre populações, ecossistemas e economias.

