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19 de fevereiro de 2026 - 12h16
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RACISMO NOS CAMPOS

Vinícius Júnior sofre 20º caso de racismo na Europa após episódio em Benfica x Real

Ataques começaram em 2021 e já resultaram em condenações inéditas na Espanha; caso mais recente está sob análise da Uefa

19 fevereiro 2026 - 11h05Marina Borges
Vini Jr. recebeu manifestações de apoio de atletas e clubes após acusação de racismo na Champions League
Vini Jr. recebeu manifestações de apoio de atletas e clubes após acusação de racismo na Champions League - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O que antes era tratado como “provocação de arquibancada” virou um histórico documentado de ataques. O episódio ocorrido no Estádio da Luz, em Lisboa, durante Benfica x Real Madrid pela Champions League, marcou o 20º caso de racismo envolvendo Vinícius Júnior desde que o atacante chegou ao futebol espanhol, em 2018.

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A partida foi paralisada por nove minutos após acusação contra o jogador Gianluca Prestianni. A Uefa abriu procedimento disciplinar, ampliando a discussão para além da Espanha, país onde a maior parte dos episódios aconteceu.

Casos se repetem desde 2021 - Os primeiros registros públicos ocorreram em outubro de 2021, no Camp Nou, quando Vinícius foi alvo de ofensas durante um clássico contra o Barcelona. Desde então, os episódios se espalharam por diferentes estádios espanhóis.

O atacante foi alvo de sons imitando macaco, gritos para “pegar bananas”, ameaças de morte e xingamentos como “Vinícius morre”. Em janeiro de 2023, um boneco negro com sua camisa foi pendurado em uma ponte em Madri. Quatro pessoas foram condenadas, com penas convertidas em multas e restrições.

O caso mais emblemático ocorreu em maio de 2023, no estádio Mestalla, em Valencia. A partida foi interrompida após insultos racistas vindos da arquibancada. Três torcedores receberam pena de prisão — a primeira condenação criminal por racismo em estádios na Espanha.

Mesmo assim, os episódios continuaram. Em março de 2024, no retorno ao Mestalla, Vinícius foi recebido com vaias em massa. Respondeu marcando dois gols e comemorando com o punho erguido.

Em fevereiro de 2026, durante duelo contra o Albacete pela Copa do Rei, novos insultos foram registrados. Dias depois, o confronto com o Benfica levou o debate ao âmbito da Uefa. Além da acusação individual, houve registro de hostilidade coletiva no Estádio da Luz, com menções em súmula e imagens anexadas à investigação.

Ao todo, são 20 episódios listados desde 2021, incluindo casos em redes sociais, estádios e programas de televisão. Em vários deles, as investigações foram arquivadas por falta de identificação dos autores. Em outros, houve condenações que passaram a ser consideradas marcos jurídicos no país.

“Não sou vítima” - Após a sentença contra torcedores de Valencia, Vinícius afirmou que sua postura pública não é apenas pessoal.

“Eu não sou vítima de racismo. Sou algoz de racistas. Essa condenação não é por mim, é por todas as pessoas negras”, escreveu o jogador.

Enquanto segue decisivo dentro de campo pelo Real Madrid, fora dele o atacante passou a representar uma mudança ainda lenta no combate ao racismo no futebol europeu. O novo procedimento aberto pela Uefa indica que a discussão ultrapassa fronteiras nacionais e mantém o tema no centro do debate esportivo.

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