
O lateral-esquerdo Vanderlan, ex-Palmeiras e atualmente no Red Bull Bragantino, foi submetido a uma cirurgia no cérebro para tratamento de uma malformação arteriovenosa (MAV) cerebral. O procedimento foi realizado na terça-feira (20), no hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, e, segundo o clube, ocorreu com sucesso.
De acordo com nota oficial divulgada pelo Bragantino, o jogador de 23 anos apresentou, ao longo de 2025, um quadro infeccioso acompanhado de cefaleia. Exames de imagem identificaram uma alteração que exigiu investigações mais aprofundadas, levando o atleta a ser acompanhado por especialistas até a confirmação do diagnóstico.
Após avaliações, exames complementares e consultas com diferentes neurocirurgiões, clube, atleta e familiares decidiram pela realização da cirurgia. O procedimento foi conduzido pelo médico Feres Chaddad, citado pelo clube como referência no tratamento de MAV na América Latina.
“O procedimento foi bem-sucedido. Vanderlan passa bem e inicia em breve o período de recuperação, para retorno à prática esportiva nos próximos meses”, informou o Red Bull Bragantino.
Carreira e trajetória no futebol - Natural da Bahia, Vanderlan foi revelado pelas categorias de base do Palmeiras e integrado ao elenco profissional em 2021. Naquele ano, fez parte do grupo que conquistou a Copa Libertadores da América.
Durante sua passagem pelo clube paulista, o lateral ajudou o time a conquistar três títulos do Campeonato Paulista (2022, 2023 e 2024), dois Campeonatos Brasileiros (2022 e 2023) e a Supercopa do Brasil de 2023. Ao todo, disputou 108 partidas com a camisa alviverde e marcou um gol.
Em agosto de 2025, após a disputa do Mundial de Clubes da Fifa, Vanderlan foi negociado com o Red Bull Bragantino. O jogador tem contrato com a equipe do interior paulista até 2030.
O que é a MAV cerebral - A malformação arteriovenosa cerebral é uma alteração rara do sistema vascular e considerada de difícil diagnóstico e tratamento. Estima-se que cerca de 10 a cada 100 mil pessoas no mundo sejam diagnosticadas com a condição.
A MAV é caracterizada por um emaranhado de artérias e veias malformadas, de diferentes tamanhos, cujo aspecto lembra uma bola de lã. Em condições normais, o sangue oxigenado chega ao cérebro pelas artérias e retorna aos pulmões pelas veias, com a intermediação de pequenos vasos chamados capilares.
Na presença da MAV, essa conexão ocorre de forma direta entre artérias e veias, sem a passagem pelos capilares. Essa alteração pode provocar o chamado “roubo de fluxo sanguíneo”, reduzindo a irrigação de áreas cerebrais adjacentes, que passam a sofrer perda de função e atrofia.
Além disso, os vasos malformados apresentam maior risco de ruptura. Quando isso acontece, pode ocorrer uma hemorragia cerebral, com formação de coágulo dentro do cérebro, situação potencialmente grave.
Quando apresenta sintomas, a MAV cerebral pode causar cefaleia, tontura, perda de visão, convulsões, déficits cognitivos — como dificuldades de memória e atenção — e alterações motoras, com ou sem perda de sensibilidade. Esses sinais podem estar relacionados tanto à redução do fluxo sanguíneo quanto a sangramentos provocados pela ruptura da malformação.
Em casos mais graves, a hemorragia pode ser extensa e fatal, havendo situações em que a MAV é identificada apenas após o óbito.

