
Duas das principais torcidas organizadas do São Paulo, a Independente e a Dragões da Real, decidiram romper publicamente com o presidente Julio Casares e passaram a pedir abertamente a renúncia do dirigente. O movimento aumenta a pressão em meio à crise política e institucional que atinge o clube.
O estopim para o desgaste foi a revelação de um esquema ilegal de venda de camarotes no Morumbis. A Polícia Civil também investiga possíveis irregularidades financeiras, incluindo a realização de 35 saques em dinheiro vivo, que somam R$ 11 milhões, entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025, das contas do São Paulo.
Em nota, a Torcida Independente faz um ataque direto ao presidente, lembrando que ele se apresentava como próximo da arquibancada. “Eis que o tempo mostrou uma verdade cretina, covarde e canalha daquele que dizia ser o ‘presidente da arquibancada’”, afirma o texto divulgado pela organizada.
O comunicado também reforça o pedido de saída de Casares do comando do clube e coloca pressão sobre o Conselho Deliberativo. “Hoje fazemos voz com todos que querem FORA CASARES mas ele só sai por RENÚNCIA espontânea ou por impeachment do Conselho. Lembramos, 1/3 de conselheiros são suficientes pra manter o cara no poder. Apontaremos Conselheiro por Conselheiro se for necessário”, diz outro trecho da nota.
A Independente ainda critica a falta de reforços e a indefinição na estrutura do departamento de futebol neste início de temporada. “BASTA de circo! O time já está treinando, sem dinheiro, sem reforços de peso. Nem diretoria de futebol está nomeada. O navio está à deriva”, afirma a organizada.
A Dragões da Real seguiu a mesma linha, rompendo com o presidente e se somando ao coro pelo afastamento de Casares. As manifestações das duas torcidas organizadas, entre as maiores ligadas ao São Paulo, indicam um clima de ruptura com a atual gestão.
De acordo com o portal UOL, aliados políticos já aconselharam Julio Casares a considerar a possibilidade de um processo de impeachment após o novo escândalo vir a público. A pressão interna é crescente, e correntes importantes do clube avaliam deixar de apoiar o presidente.
Reeleito em dezembro de 2023 sem oposição, Casares tem mandato até o fim de 2026. Na última eleição, ele foi candidato único à presidência do São Paulo. Agora, porém, enfrenta o desgaste de investigações policiais, questionamentos sobre a gestão financeira e o rompimento declarado com parte significativa da arquibancada que antes dizia representá-lo.

