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CRISE NO CLUBE

São Paulo recorre contra voto híbrido em reunião que pode afastar Júlio Casares

Clube contesta decisão judicial e diz que formato virtual compromete ampla defesa no processo de impeachment

13 janeiro 2026 - 17h45Agência Estado
São Paulo tenta barrar voto híbrido em reunião que pode afastar Júlio Casares da presidência.
São Paulo tenta barrar voto híbrido em reunião que pode afastar Júlio Casares da presidência. - (Foto: Rubens Chiri/São Paulo)

O São Paulo Futebol Clube entrou com recurso nesta terça-feira (13) contra a liminar expedida pela 3ª Vara Cível do Butantã que autorizou a realização de votação em formato híbrido — presencial ou virtual — na reunião do Conselho Deliberativo que pode resultar no afastamento provisório do presidente Júlio Casares. A sessão está marcada para sexta-feira (16), às 18h30.

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No agravo de instrumento, a diretoria do clube argumenta que a permissão para o voto remoto viola garantias básicas do processo, como o contraditório e a ampla defesa do dirigente acusado. Para o São Paulo, a exigência de presença física dos conselheiros não é uma formalidade, mas uma condição essencial para assegurar a legitimidade do julgamento.

Em um dos trechos do recurso, o clube classifica o voto híbrido como uma “aberração jurídica” e sustenta que o modelo fragiliza a defesa do presidente. “A exigência do formato presencial, neste cenário, não é um mero capricho, mas a última linha de defesa para a garantia de um julgamento justo e equânime”, afirma o documento.

Além da crítica ao formato da votação, o São Paulo também questiona a interpretação judicial sobre o quórum necessário para o afastamento do presidente. O estatuto do clube prevê a presença mínima de 75% dos membros do Conselho Deliberativo para esse tipo de deliberação. No entanto, em decisão proferida na segunda-feira (12), a juíza Luciane Cristina Silva Tavares entendeu que esse percentual se aplica apenas à instalação da reunião, enquanto a destituição dependeria de dois terços dos votos dos presentes.

A defesa do clube discorda desse entendimento e afirma que o quórum qualificado é uma salvaguarda prevista justamente pela gravidade das acusações. “A aplicação do quórum de 75% não é um capricho, mas a norma especial e garantista que se impõe diante da natureza sancionatória das acusações de atos contrários ao Estatuto e gestão temerária”, diz outro trecho do recurso.

O São Paulo também reforça que o formato presencial é indispensável para garantir o sigilo do voto e a transparência do processo. Segundo o clube, a reunião extraordinária representa a única oportunidade para que o presidente acusado exerça uma defesa plena em um rito considerado concentrado e decisivo.

O agravo será analisado pela 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, sob relatoria da desembargadora Mônica Rodrigues Dias de Carvalho. Não há prazo definido para a decisão.

Júlio Casares é alvo de investigação em um inquérito da Polícia Civil que apura um suposto esquema de desvio de verbas do clube. Desde que o caso veio a público, o presidente perdeu apoio político interno, mas já declarou que não pretende renunciar ao cargo. Casares sustenta que é inocente e afirma que irá provar isso ao longo do processo.

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