
Elena Rybakina encerrou o Australian Open deste sábado (31) com uma vitória que vai além do resultado em quadra. Após derrotar Aryna Sabalenka, número 1 do mundo, na decisão disputada na Rod Laver Arena, em Melbourne, a tenista agradeceu de forma emocionada ao Cazaquistão, país que a acolheu e passou a representar no circuito profissional. Com o troféu Daphne Akhurst Memorial Cup nas mãos, ela resumiu o sentimento: “Obrigada, Cazaquistão, sempre sinto o seu apoio”.
A conquista recoloca a atleta de 26 anos na terceira posição do ranking mundial, atualização que será divulgada nesta segunda-feira. Rybakina vai ultrapassar as americanas Coco Gauff e Amanda Anisimova, igualando a melhor marca da carreira na WTA. O título também simboliza um momento de maturidade, após um período marcado por lesões, problemas de saúde e episódios de instabilidade fora das quadras.
Nascida em Moscou, na Rússia, Rybakina é um dos principais resultados de um projeto esportivo ambicioso do Cazaquistão, iniciado há cerca de 15 anos com o objetivo de colocar o país em posição de destaque no tênis mundial. À frente da iniciativa está o empresário Bulat Utemuratov, presidente da Federação de Tênis do país e ex-vice-ministro de Assuntos Econômicos Externos após a independência da antiga União Soviética.
Desde 2007, Utemuratov investiu mais de US$ 2,3 bilhões no desenvolvimento do esporte. O plano incluiu a construção de 38 centros de tênis espalhados pelas 17 regiões do país e o recrutamento de jovens talentos russos em busca de melhores condições de treinamento. Rybakina foi incorporada ao projeto em 2018.
Antes do título em Melbourne, a tenista já havia alcançado feitos expressivos, como a conquista de Wimbledon em 2022 e do WTA Finals de 2025, também vencendo Sabalenka na decisão. No Australian Open, ela superou adversárias de peso ao longo da campanha, incluindo Iga Swiatek, número 2 do mundo, e Jessica Pegula, sexta do ranking.
Na final, Rybakina demonstrou frieza e consistência. Mesmo após sair atrás por 0/3 no set decisivo, reagiu com saques potentes e precisos para fechar a parcial em 6/4, confirmando a virada diante da líder do ranking. Durante a cerimônia de premiação, ela destacou o respeito pela rival. “É difícil encontrar palavras agora. Quero parabenizar a Aryna pelos resultados incríveis dos últimos dois anos. Sei que é difícil neste momento, mas espero que possamos jogar muitas outras finais juntas”, afirmou.
A vitória foi acompanhada de perto por Utemuratov, que assistiu à partida do banco reservado à equipe, ao lado do técnico Stefano Vukov. O treinador croata chegou a ficar afastado do circuito após uma suspensão da WTA e teve a credencial negada no Australian Open do ano passado por acusações de abuso psicológico, contestadas pela atleta. Após um rompimento de cinco meses, a parceria foi retomada.
Ao falar sobre o período conturbado, Rybakina ressaltou o apoio recebido. “Acho que temos trabalhado muito com a equipe, e eles me apoiaram bastante. Nos momentos em que eu não estava tão positiva, eles me ajudaram”, disse. “Todos temos altos e baixos, mas sempre acreditei que poderia voltar ao nível que eu tinha”, completou.
Com o título, a tenista deixa para trás as turbulências recentes e reforça a condição de protagonista do circuito, mirando novos títulos de Grand Slam e a disputa direta pelo topo do ranking mundial.

