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Retomada da credibilidade abre caminho para novos investimentos no futebol sul-mato-grossense

Com premiação maior, aporte aos clubes e foco em infraestrutura, FFMS aposta em gestão transparente para fortalecer o futebol sul-mato-grossense

20 janeiro 2026 - 10h10Iury de Oliveira
Presidente da FFMS, Estevão Petrallás concede entrevisa ao jornal A Crítica
Presidente da FFMS, Estevão Petrallás concede entrevisa ao jornal A Crítica - (Foto: Iury de Oliveira)

Aos poucos, a Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS) vem tentando virar a página de um passado de desconfiança e baixa relevância. À frente da entidade, o presidente Estevão Petrallás resume o momento em uma frase que virou norte de gestão: “Inicialmente, é a retomada da credibilidade”.

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A partir dessa mudança de percepção, afirma, foi possível organizar o Campeonato Sul-Mato-Grossense 2026 com mais dinheiro em premiações, um aporte inédito para os clubes e um plano claro de melhoria da infraestrutura, dentro e fora de Campo Grande. Segundo ele, foi essa mudança de percepção que permitiu ampliar premiações, garantir um aporte inédito aos clubes e colocar de pé projetos de melhoria estrutural em estádios da Capital e do interior.

No sábado (17), em cerimônia na Câmara Municipal de Campo Grande, a FFMS oficializou a abertura do Campeonato Sul-Mato-Grossense 2026, apresentou o troféu da temporada e confirmou que, pelo segundo ano seguido, o campeão e o vice receberão premiação em dinheiro. Serão R$ 100 mil no total, sendo R$ 70 mil para o campeão e R$ 30 mil para o vice.

Além disso, a Federação captou R$ 100 mil junto a novos parceiros e já repassou R$ 10 mil para cada um dos dez clubes participantes, com a promessa de ajudar a quitar taxas contratuais e anuidades logo no começo da competição. “Dez mil reais para cada clube. O clube está levando isso para casa. Antes, normalmente, o clube vinha e deixava isso na Federação. É pouco? É. Mas, é um começo e como eu coloquei, de forma inédita”, destaca Petrallás.

Credibilidade como ponto de virada - Em entrevista concedida para o jornal A Crítica na segunda-feira (19), o presidente foi direto ao ponto ao falar sobre o cenário que encontrou. “A Federação vinha há anos sofrendo com a falta de prestígio, competições não muito interessantes”, admite.

A reação, segundo ele, veio com uma combinação de transparência, diálogo com dirigentes e foco na organização. “Aos pouquinhos, nós fomos mostrando [...] que é possível fazer um futebol sério, transparente e buscar alternativas para que a competição fique mais interessante, mais disputada tecnicamente”, diz.

Essa mudança, avalia, começou a atingir também o comportamento dos clubes. “Os clubes começam a investir em atletas mais bem qualificados”, pontua. Ele ressalta ainda que, no interior, o ambiente para receber jogos evoluiu: “Dentro de campo, as estruturas dos estádios, exceto ainda Campo Grande, onde agora estamos conseguindo ajudar, mas no interior todos os gramados são muito bons, os estádios são acolhedores”.

Para Petrallás, a retomada da credibilidade depende também de uma nova forma de enxergar o negócio. “Se o dirigente perceber que o futebol é uma paixão aliada, atrelada ao negócio, à parte comercial, ele vai, com certeza, daqui a pouquinho ter uma outra estrutura”, afirma.

Presidente da FFMS, Estevão Petrallás, junto aos presidentes dos clubes, apresentou o troféu de campeão (Foto: Rodrigo Moreira/FFMS)Presidente da FFMS, Estevão Petrallás, junto aos presidentes dos clubes, apresentou o troféu de campeão (Foto: Rodrigo Moreira/FFMS)

Futebol como vitrine e fonte de receita - Um dos pontos em que o presidente insiste é na necessidade de os clubes aproveitarem melhor as competições como vitrine para seus atletas. “A Federação promove o atleta e o coloca na vitrine, que são as competições, os campeonatos. E o clube tem que, sabiamente, explorar isso no bom sentido”, explica.

A lógica é clara: revelar jogadores, negociar transferências e transformar isso em receita. “Fazer a venda do atleta para que possa ter retorno financeiro para os clubes”, resume. Nesta linha, Petrallás compara o modelo desejado ao das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), que começam a surgir no Estado, como Pantanal SAF e Operário SAF.

“Tem uma semelhança com as empresas chamadas de SAF do futebol, Sociedade Anônima do Futebol. É justamente por isso que se visa uma organização interna totalmente diferente de uma organização apenas associativa”, afirma.

Ao mesmo tempo, ele faz questão de lembrar que a transformação não apaga a identidade dos clubes. “Isso não tira a identidade do clube. O torcedor continua sendo torcedor. O Operário não deixa de ser Operário. A SAF administra o futebol”, reforça.

Para incentivar o modelo, a FFMS decidiu isentar as cinco primeiras SAFs do Estado de determinadas taxas e oferecer apoio jurídico. “A Federação isenta as cinco primeiras SAFs do Estado para incentivar esse modelo, orientar juridicamente e ajudar na compreensão do conceito. É uma tendência do futebol brasileiro”, avalia.

Premiação maior e aporte aos clubes - Na prática, o novo momento já aparece nos números do Estadual. Em 2025, a premiação total foi de R$ 80 mil. Em 2026, chega a R$ 100 mil. “Em 2025 foram 80 mil em prêmios, agora 100 mil: 70 para o campeão, 30 para o vice”, compara Petrallás.

O aporte de R$ 10 mil por clube, repassado antes do início da competição, é outro sinal dessa nova fase. “Começa a se achar uma linha de raciocínio. Isso pode, aos poucos, paulatinamente, vir aumentando naturalmente, desde que façamos o primeiro”, projeta o dirigente, ao falar de um modelo que pretende aprimorar a cada edição.

Segundo ele, a ideia é que todo campeonato traga algum atrativo extra para chamar atenção do mercado. “Uma novidade em cada competição, para que ela crie expectativas positivas e que os parceiros, os patrocinadores, consigam entender nessa competição a divulgação da sua marca. Isso tudo será revertido para os filiados que estarão disputando aquela competição”, afirma.

No horizonte, a meta é chegar a 2027 com um parceiro de naming rights para o Campeonato Sul-Mato-Grossense, a partir de contatos iniciados com empresas em São Paulo.

Morenão, o maior estádio universitário do Brasil, está em reforma desde 2022Morenão, o maior estádio universitário do Brasil, está em fechado desde 2022

Morenão: resgatar o principal palco - Um dos símbolos da retomada da credibilidade é o projeto de reabertura do Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão. Petrallás fala do tema também como torcedor. “O primeiro momento é a nossa ânsia, como torcedor, de ter o Pedro Pedrossian reaberto, o Estádio Morenão”, diz.

De acordo com o presidente da FFMS, houve avanço importante nas negociações entre a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e o Governo do Estado. “A Universidade já disponibilizou para o Governo do Estado uma carta autorizativa, aprovada no seu conselho diretor, que possibilita ao Governo do Estado assumir por 35 anos a gestão do Estádio Pedro Pedrossian”, relata.

Agora, a decisão passa pela capacidade do Estado de assumir o custo de manter o estádio. “O Governo precisa avaliar, se estruturar até de forma financeira, porque vai gerar custo: conta de energia, conta de água. É um patrimônio da União”, pondera. Mesmo assim, Petrallás acredita em um posicionamento ainda neste mês. “Houve avanço. Eu penso que até o final deste mês o governador deve se posicionar”, afirma.

À Federação, com apoio da CBF, caberá a reforma interna do estádio, começando pelo gramado. “O que existe da Federação nisso? A responsabilidade, junto com a CBF, de trocar o gramado por completo, a retirada do que está lá hoje, porque não dá para aproveitar”, explica.

Ele detalha o compromisso assumido: “Daquele parapeito interno do Morenão para baixo, a Federação entra com a sua responsabilidade: bancos de reserva, banheiros, vestiários, pista, bancos da Polícia Militar, arbitragem, gramado e irrigação. Em recursos, isso chega próximo de 2 milhões e meio de reais. Quem é a grande parceira? A CBF”.

Ao Governo ficariam tarefas como lavagem e repintura das arquibancadas e cadeiras e melhorias na tribuna e na área de imprensa, hoje afetadas por infiltrações e presença de pombos e morcegos.

“Acredito que essa definição sai nos próximos dias. Existe a sensibilidade do governador como desportista, mas também a responsabilidade de ouvir a sociedade. Você entra em qualquer lugar e as perguntas são: e o Comercial? E o Morenão?”, conta o dirigente.

Para ele, a obra vai além do concreto. “É uma ânsia do torcedor. A Federação está junto porque entende que é uma missão: o resgate do maior palco do futebol sul-mato-grossense”, resume.

Petrallás aposta em gestão transparente, aporte inédito aos clubes e obras em estádios para recuperar a credibilidade do futebol sul-mato-grossensePetrallás aposta em gestão transparente, aporte inédito aos clubes e obras em estádios para recuperar a credibilidade do futebol sul-mato-grossense (Foto: Iury de Oliveira)

Jacques da Luz e interior no planejamento - Enquanto o Morenão não volta, o Estádio Jacques da Luz, nas Moreninhas, segue como principal casa do futebol em Campo Grande. Petrallás confirma que a troca total do gramado chegou a ser planejada para outubro do ano passado, mas não avançou por falta de documentação exigida pela CBF.

“O gramado que hoje está direcionado ao Morenão inicialmente seria do Jacques da Luz. Mas a CBF precisa de garantias documentais para liberar recursos, o que não aconteceu naquele momento”, explica.

Mesmo sem a reforma completa, houve avanço parcial. Um termo de parceria com a Prefeitura de Campo Grande, de gestão compartilhada até dezembro de 2028, permitiu a recuperação de áreas do campo e pequenas melhorias estruturais. “A ideia é melhorar estrutura, trazer o torcedor de volta e qualificar o futebol. Hoje, por exemplo, o banheiro do visitante ainda é químico. Precisamos mudar isso. Já colocamos bebedouros, mas será preciso ampliar”, reconhece.

A atuação da FFMS se estende ao interior. “A Federação tem ajudado também no Arthur Marinho, em Corumbá. Tem jogo lá neste fim de semana, Operário, Corumbaense e Operário. É quente lá, inclusive hoje estou definindo a questão do ar-condicionado”, relata Petrallás.

Segundo ele, a estratégia é usar emendas parlamentares para garantir itens básicos de segurança e conforto. “Aos poucos, a ideia é buscar emendas parlamentares para estruturar melhor os estádios: brigada de incêndio, extintores, sanitários, segurança, zelo com quem vai assistir e trabalhar”, afirma.

Ele cita também o Ninho da Águia, em Rio Brilhante, e elogia o perfil de novos dirigentes. “O presidente Kiko, do Corumbaense, é um jovem gestor preocupado com segurança e conforto. É assim que vamos avançando”, avalia.

Campo, torcida e transmissões - Dentro de campo, Petrallás lembra que a essência não mudou. “Dentro de campo são 11 contra 11. O peso da camisa, o calor do torcedor ainda fazem diferença”, afirma.

O objetivo agora é transformar a credibilidade recuperada em público nas arquibancadas. “Em 2025 retomamos a credibilidade. Em 2026, o foco é trazer o torcedor de volta”, diz o presidente. A ampliação da premiação e a tentativa de trabalhar o futebol o ano inteiro, e não apenas nos 90 dias de Estadual, fazem parte desse plano.

Na busca por novas receitas, a Federação aposta nas transmissões. “O grande parceiro são as transmissões”, resume Petrallás. Segundo ele, o acordo com a emissora afiliada da Globo em Mato Grosso do Sul é um passo importante. “Ainda não há investimento direto em dinheiro, mas há exposição de marcas. É o primeiro passo. Quem sabe em 2027 já tenhamos valores maiores”, projeta.

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