
O esquiador norueguês Johannes Klaebo encerrou os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina de forma perfeita: seis provas disputadas, seis medalhas de ouro, um feito inédito. Depois de subir pela última vez ao topo do pódio na Itália, no sábado, o maior medalhista em edições de inverno revelou uma medida extrema que tomou para tentar chegar saudável à competição: passou dois meses sem beijar a noiva, Pernille Dosvik.
“É o primeiro beijo que compartilhamos desde dezembro. Foi muito especial”, contou o atleta de 29 anos, ao explicar que a abstinência tinha relação direta com o medo de contrair algum vírus e comprometer o desempenho nos Jogos.
A preocupação com doenças não é nova na rotina de Klaebo, mas ganhou ainda mais força em Milão-Cortina. Após a vitória no revezamento masculino 4 x 7,5 km, em 15 de fevereiro, ele viu o companheiro de equipe e de quarto, Emil Iversen, abraçar a esposa na comemoração. A cena foi suficiente para o norueguês passar a circular de máscara por alguns dias na Vila Olímpica, com receio de contaminação.
O cuidado tem um fundamento esportivo. Praticado em clima frio e seco, o esqui cross-country costuma causar supressão do sistema imunológico dos atletas, deixando o corpo mais vulnerável a infecções ao longo das provas. Depois dos 50 km clássicos, prova de resistência que durou pouco mais de duas horas, Klaebo admitiu que chegou a sentir o organismo reagindo de forma diferente.
“Nunca me senti assim antes”, relatou. Médicos da delegação da Noruega, porém, avaliaram que não havia risco à saúde do multicampeão, apesar do cansaço extremo acumulado ao fim da maratona sobre a neve.
A noiva, influenciadora digital que conhece Klaebo desde a infância, já havia revelado detalhes dos hábitos rígidos do esquiador em entrevista à TV norueguesa. “No inverno, se eu vou ao cinema com a minha família, tenho que passar dois dias na casa dos meus pais antes de voltar para casa”, contou Pernille, ao relatar as regras impostas pelo noivo para tentar se manter longe de vírus em períodos decisivos da temporada.
Durante os Jogos de Milão-Cortina, os dois quase não se viram. Klaebo passou praticamente toda a campanha olímpica concentrado, isolado do círculo mais próximo. “A única vez que a vi foi na sexta à noite, quando fomos dar uma caminhada. Já estava na hora de vê-la novamente. Estou ansioso para que isso acabe logo para que possamos passar mais tempo juntos”, disse o esquiador, ainda na Itália.
A soma de paranoia com saúde, disciplina e sacrifícios pessoais ajuda a compor a imagem do norueguês, que saiu de Milão-Cortina como grande nome da edição. Campeão em todas as provas que disputou e obcecado por detalhes, ele levou ao extremo o controle sobre contatos e rotina social para tentar evitar qualquer imprevisto antes de entrar na neve.
Entre máscaras, distância da família e dois meses sem beijar a noiva, Klaebo voltou para casa com seis ouros no peito — e, enfim, com o “primeiro beijo desde dezembro” para comemorar o recorde olímpico.

