
Menos de três semanas após o encerramento da temporada 2025, o futebol brasileiro já volta a campo neste sábado, dia 10, com o início dos campeonatos estaduais. Em São Paulo, o Paulistão 2026 começa sob um novo formato, mais enxuto e inspirado na Champions League, que promete alterar de forma significativa a dinâmica da competição e aumentar o grau de dificuldade para os clubes tradicionais.
A mudança atende ao novo calendário do futebol brasileiro, implementado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Com menos datas disponíveis, o Campeonato Paulista reduziu o número máximo de partidas por equipe de 16 para 12, forçando a Federação Paulista de Futebol (FPF) a reformular o regulamento.
No novo modelo, os 16 clubes participantes disputam a primeira fase em pontos corridos, com oito jogos para cada equipe. Os confrontos foram definidos por sorteio, e todos enfrentam adversários diferentes ao longo dessa etapa inicial. Ao fim das oito rodadas, os oito melhores colocados avançam às quartas de final.
O mata-mata será disputado em partidas únicas nas quartas e semifinais. Apenas a final mantém o formato tradicional, com dois jogos, marcados para os dias 4 e 8 de março. Já os dois últimos colocados na classificação geral serão rebaixados para a Série A2 do Campeonato Paulista.
Paralelamente ao estadual, o Brasileirão também estará em andamento. A competição nacional começa no dia 28 de janeiro e terá quatro rodadas disputadas enquanto os principais campeonatos estaduais ainda estiverem em curso, o que reforça o impacto do calendário apertado sobre os elencos.
O novo regulamento busca corrigir distorções registradas em edições anteriores. No formato antigo, os clubes eram divididos em grupos, mas não se enfrentavam dentro da própria chave, o que gerava situações consideradas injustas. Equipes com desempenho inferior avançavam ao mata-mata, enquanto outras, com campanhas mais consistentes, acabavam eliminadas precocemente.
Um exemplo recente ocorreu em 2025. A Ponte Preta somou 22 pontos em 36 possíveis, desempenho superior ao de Santos e São Paulo, líderes de seus grupos, mas acabou eliminada na fase inicial. Palmeiras e São Bernardo, que fizeram apenas um ponto a mais, garantiram a classificação. Já o Mirassol, que nesta temporada disputa a Libertadores, avançou com apenas 16 pontos, seis a menos que a equipe campineira.
A expectativa é que o novo formato reduza esse tipo de desequilíbrio, tornando a classificação mais justa e baseada exclusivamente na campanha geral. Em contrapartida, a margem de erro diminui consideravelmente, especialmente para os clubes mais tradicionais.
Grandes sob pressão logo no início
O regulamento anterior assegurava os clássicos na primeira fase ao separar Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo em grupos diferentes. Em 2026, os confrontos diretos entre os quatro grandes seguem garantidos, mas agora dentro de uma tabela mais curta e potencialmente perigosa.
Com apenas oito rodadas para definir os classificados, um início ruim pode comprometer seriamente a campanha. O cenário preocupa ainda mais porque os grandes clubes tendem a utilizar times alternativos nas primeiras partidas, buscando dar descanso aos titulares após uma temporada 2025 considerada desgastante.
Apesar disso, o nível de competitividade do Paulistão segue elevado. A lógica se aproxima da adotada pela Uefa ao reformular a Champions League: mais confrontos relevantes em menos tempo. O efeito colateral é o aumento da pressão desde as rodadas iniciais.
O Corinthians, atual campeão paulista, estreia diante da Ponte Preta, campeã da Série C e uma das equipes mais tradicionais do torneio. Já o São Paulo inicia a competição contra o Mirassol, sensação do último Brasileirão, em um momento de instabilidade política e administrativa no clube do Morumbi.
Outro ponto que chama atenção é a concentração de clássicos em um curto espaço de tempo. O Corinthians, por exemplo, enfrenta São Paulo e Santos em sequência, na terceira e quarta rodadas. O São Paulo vive situação semelhante, encarando Palmeiras e Santos nas rodadas 5 e 6.
Para o Santos, a sequência é ainda mais dura. O clássico contra o São Paulo fecha uma série de confrontos contra equipes que disputam o Brasileirão, após duelos diante de Corinthians e Red Bull Bragantino. Em um campeonato curto, essa maratona pode ser decisiva para o futuro do clube na competição.
Tabelas dos grandes na primeira fase
Corinthians
Ponte Preta (casa)
Red Bull Bragantino (fora)
São Paulo (casa)
Santos (fora)
Velo Clube (fora)
Capivariano (casa)
Palmeiras (casa)
São Bernardo (fora)
Palmeiras
Portuguesa (fora)
Santos (casa)
Mirassol (casa)
Novorizontino (fora)
São Paulo (casa)
Botafogo-SP (fora)
Corinthians (fora)
Guarani (casa)
São Paulo
Mirassol (fora)
São Bernardo (casa)
Corinthians (fora)
Portuguesa (casa)
Palmeiras (fora)
Santos (casa)
Primavera (casa)
Ponte Preta (fora)
Santos
Novorizontino (casa)
Palmeiras (fora)
Guarani (fora)
Corinthians (casa)
Red Bull Bragantino (casa)
São Paulo (fora)
Noroeste (fora)
Velo Clube (casa)
Com menos jogos, confrontos diretos mais frequentes e uma classificação baseada exclusivamente na tabela geral, o Paulistão 2026 promete ser um dos estaduais mais imprevisíveis dos últimos anos, exigindo regularidade imediata até mesmo das principais forças do futebol paulista.

