
O meia Oscar decidiu ainda em dezembro que não voltaria mais a jogar futebol profissionalmente. Aos 34 anos, o atleta já está fora da folha salarial do São Paulo, mas ainda não teve a rescisão contratual oficializada. Clube e jogador mantêm conversas em busca de um desfecho amigável para o encerramento do vínculo.
O principal ponto em debate é a definição dos valores pendentes. O contrato de Oscar com o São Paulo tinha validade até o fim de 2027 e previa o pagamento de R$ 1,5 milhão referentes a luvas e comissão pela assinatura do acordo, já que o jogador estava livre no mercado no momento da contratação.
Com a decisão de encerrar a carreira dois anos antes do término do contrato, as partes discutem quanto desse valor será efetivamente pago e de que forma. Internamente, a antecipação da rescisão é vista como argumento para a redução da quantia. Até o momento, não há prazo definido para a conclusão do acordo.
A decisão de Oscar de parar de jogar veio após um episódio de síncope vasovagal, que levou à sua internação para monitoramento de alterações cardíacas. O meia chegou a desmaiar durante exames realizados no CT da Barra Funda, o que acendeu um alerta médico.
Antes desse episódio, Oscar já estava afastado dos gramados desde julho. No dia 19 daquele mês, ele sofreu fraturas em três vértebras lombares. O jogador chegou a retomar os treinos com o elenco, mas voltou a ser afastado. Na ocasião, o São Paulo informou inicialmente uma lesão muscular na panturrilha, mas posteriormente confirmou que o atleta enfrentava problemas cardíacos.
Oscar foi formado nas categorias de base do São Paulo e chegou ao time profissional em 2008. Ainda muito jovem, aos 16 anos, protagonizou uma disputa judicial para deixar o clube. O jogador alegou que havia sido coagido a se emancipar para assinar um contrato profissional.
Com a liberação na Justiça, Oscar acertou com o Internacional em 2010 e, no ano seguinte, tornou-se peça importante da equipe colorada. Em março de 2012, o Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo determinou a reativação do contrato do meia com o São Paulo, o que o impediu de atuar pelo clube gaúcho.
A situação foi revertida por meio de uma liminar do Tribunal Superior do Trabalho (TST). A disputa foi encerrada definitivamente em maio de 2012, quando o Internacional pagou R$ 15 milhões ao São Paulo.
Pouco depois, em junho daquele ano, Oscar foi negociado com o Chelsea por 25 milhões de libras, cerca de R$ 79 milhões à época, em uma transação que se tornou, naquele momento, a maior venda da história do futebol brasileiro.
No retorno ao São Paulo, Oscar teve participação limitada. Em sua segunda passagem pelo clube, disputou 21 partidas, marcou dois gols e distribuiu cinco assistências. Os problemas físicos e de saúde impediram uma sequência maior e culminaram na decisão pelo encerramento da carreira.

