
O Campeonato Paulista passou por mudanças importantes no formato e, mesmo assim, segue como o estadual mais relevante do futebol brasileiro. A edição atual adotou um modelo inspirado na Champions League, com classificação geral em pontos corridos na primeira fase, o que aumentou a competitividade e reduziu a margem para erros.
O torneio reúne o maior número de clubes da Série A entre os estaduais: Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Red Bull Bragantino e Mirassol. Outros quatro times disputam a Série B do Brasileiro: Novorizontino, São Bernardo, Botafogo-SP e Ponte Preta.
Na primeira fase, todos os times jogam entre si, e os oito melhores avançam ao mata-mata, enquanto os dois últimos são rebaixados para a Série A2. Os quatro grandes da capital foram definidos como cabeças de chave, e a Federação Paulista de Futebol manteve clássicos logo nas rodadas iniciais para atrair público e audiência. Já aconteceram, por exemplo, o Majestoso, na Neo Química Arena, e o clássico entre Palmeiras e Santos, em Barueri.
Para o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, o Paulistão segue sendo um patrimônio do futebol nacional. Ele destaca que a força do campeonato vai além do aspecto comercial e passa pela história e pelo nível técnico da competição.
A mudança no formato também aumentou a pressão sobre os clubes do interior. Com apenas oito jogos na fase inicial, cada rodada ganhou peso decisivo. Segundo Adalberto Baptista, presidente do Conselho de Administração da Botafogo Futebol SA, o calendário mais curto transforma cada partida em uma final, especialmente para equipes fora da Série A.
Outro fator que vem impactando o nível do campeonato é a presença das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Clubes como Capivariano e Primavera adotaram esse modelo de gestão, conseguiram acesso à elite paulista e hoje brigam por classificação. O Capivariano voltou à primeira divisão após dez anos e foi campeão da Série A2 em 2025. Já o Primavera disputa o Paulistão pela primeira vez em sua história.
Para o advogado Cristiano Caús, especialista em direito desportivo, a SAF tem sido praticamente o único caminho para clubes menores atraírem investidores e aumentarem a competitividade.
Fora das quatro linhas, o Paulistão também se fortaleceu financeiramente. A competição conta com 15 patrocinadores fixos, acordos com casas de apostas e marcas de grande alcance nacional. Os direitos de transmissão são divididos entre TV aberta, fechada e streaming, o que ampliou a audiência. Os jogos passam pela Record, CazéTV, TNT e HBO Max.
O campeão recebe R$ 5 milhões em premiação, valor inferior apenas ao do Campeonato Carioca, que paga R$ 10 milhões. Em outros estaduais tradicionais, como o Gaúcho, não há premiação em dinheiro.
Segundo o especialista em finanças do esporte Moises Assayag, o Paulistão segue sendo estratégico para os clubes, tanto pelo retorno financeiro quanto pela visibilidade nacional que a competição proporciona.

