
A novela sobre o futuro do Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão, em Campo Grande, ganhou capítulos mais concretos, mas ainda aguarda um desfecho do Governo do Estado. Segundo o presidente da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS), Estevão Petrallás, a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) já emitiu carta autorizando a concessão do estádio por 35 anos ao Executivo estadual, enquanto a Federação, em parceria com a CBF, se comprometeu a bancar uma reforma ampla na parte interna, estimada em cerca de R$ 2,5 milhões.
“O primeiro momento é a nossa ânsia, como torcedor, de ter o Pedro Pedrossian reaberto, o Estádio Morenão”, afirma Petrallás. “Você entra em qualquer lugar e a pergunta é: e o Morenão?”, completa, resumindo a pressão que sente nas ruas.
Carta da UFMS e decisão nas mãos do governo - De acordo com o presidente da FFMS, o passo mais importante até agora veio da universidade. “A Universidade já disponibilizou para o Governo do Estado uma carta autorizativa, aprovada no seu conselho diretor, da Universidade Federal, que possibilita ao Governo do Estado assumir por 35 anos a gestão do Estádio Pedro Pedrossian”, detalha.
Com esse documento, o governo passa a ser o responsável por decidir se assume ou não a gestão do Morenão, incluindo os custos de manutenção. “Lógico que aí tem que ser toda a responsabilidade do Estado, e essa definição é que está levando um pouquinho mais de tempo, porque o Governo precisa avaliar, se estruturar até de forma financeira, porque vai gerar custo: conta de energia, conta de água. É um patrimônio da União”, pondera Petrallás.
Mesmo com a cautela, ele se mostra otimista com um avanço ainda neste mês. “Houve avanço. A Universidade conseguiu emitir essa carta autorizando o Governo. Eu penso que até o final deste mês o governador deve se posicionar”, projeta.
Gramado novo e reforma interna com apoio da CBF - Enquanto aguarda a posição oficial do governo, a FFMS já desenhou, com a CBF, o que pretende fazer dentro do estádio. O foco será o gramado e toda a estrutura diretamente ligada ao jogo.
“O que existe da Federação nisso? A responsabilidade, junto com a CBF, de trocar o gramado por completo, a retirada do que está lá hoje, porque não dá para aproveitar. Isso já está definido pela empresa que acompanha a Federação, que tem know-how nessa área”, explica.
A divisão é clara: “Daquele parapeito interno do Morenão para baixo, a Federação entra com a sua responsabilidade: bancos de reserva, banheiros, vestiários, pista, bancos da Polícia Militar, arbitragem, gramado e irrigação. Em recursos, isso chega próximo de 2 milhões e meio de reais. Quem é a grande parceira? A CBF”, detalha Petrallás.
Além do gramado, entram na conta a modernização da irrigação e cuidados com o abastecimento de água. “Principalmente a questão do aquífero, do abastecimento de água. Esses cuidados foram colocados tanto para a Reitoria quanto para o Governo”, acrescenta.
Presidente da FFMS, Estevão Petrallás concede entrevisa ao jornal A Crítica (Foto: Iury de Oliveira)Arquibancadas, cadeiras e imprensa ficam com o Estado - Ao Governo do Estado caberá recuperar as áreas externas e de uso coletivo, como arquibancadas, cadeiras e espaços de imprensa.
Petrallás admite que a Federação não tem condições de tocar a obra sozinha e insiste na importância da divisão de responsabilidades. “A Federação é parceira nisso, entrando praticamente meio a meio nessa primeira etapa. Não temos musculatura para tocar isso sozinhos, nem é o papel da Universidade. Os entes precisam se acertar”, avalia.
Mais do que um projeto de infraestrutura, o Morenão é tratado pela FFMS como peça simbólica na reconstrução do futebol sul-mato-grossense. “É uma ânsia do torcedor”, resume o presidente, ao falar sobre a expectativa de quem acompanha o esporte.
Ele reforça que a reabertura do Pedro Pedrossian faz parte da estratégia de retomada da credibilidade. O objetivo é devolver a Campo Grande um estádio capaz de receber clássicos, finais de campeonato e jogos de competições nacionais, com estrutura compatível às exigências atuais.
Para a Federação, colocar o Morenão de volta ao calendário fortalece clubes, facilita transmissões, amplia exposição de marcas e ajuda a atrair novos patrocinadores. “Os entes precisam se acertar, e a Federação está junto porque entende que é uma missão: o resgate do maior palco do futebol sul-mato-grossense”, conclui Petrallás.

