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Massis assume São Paulo, promete auditoria em contratos e colaboração com investigações

Presidente interino fala em mais transparência, afasta aliados de Casares e tenta pacificar ambiente político e esportivo

23 janeiro 2026 - 22h00Leonardo Catto
Harry Massis Júnior durante encontro com a imprensa no CT da Barra Funda, nos primeiros dias como presidente interino do São Paulo.
Harry Massis Júnior durante encontro com a imprensa no CT da Barra Funda, nos primeiros dias como presidente interino do São Paulo. - (Foto: Marcos Ribolli)

Com menos de uma semana no comando do São Paulo Futebol Clube, Harry Massis Júnior já iniciou uma série de mudanças administrativas e institucionais após o afastamento e a posterior renúncia de Julio Casares. Em discurso e ações práticas, o novo presidente interino sinaliza uma ruptura com a gestão anterior, prometendo colaboração irrestrita com investigações policiais, revisão de contratos e um esforço para reduzir conflitos internos e externos.

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Massis assume o cargo em meio ao avanço de inquéritos da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que apuram suspeitas de desvios financeiros e uso irregular de camarotes no estádio MorumBis durante a gestão de Casares. Diferentemente da postura adotada anteriormente pelo clube, o atual presidente afirmou que o São Paulo passará a se posicionar como vítima e atuará de forma ativa na apuração dos fatos.

Internamente, Massis pretende ampliar auditorias sobre contratos firmados na administração passada. A iniciativa tem como ponto de partida as recomendações de uma sindicância externa que investigou o caso do camarote 3A, envolvendo Mara Casares e Douglas Schwartzmann. O novo presidente, porém, quer estender a análise para outros acordos assinados nos últimos mandatos.

Em seus primeiros dias, Massis promoveu alterações em cargos estratégicos. Um dos principais movimentos foi a saída de Márcio Carlomagno do posto de superintendente-geral, função considerada central na gestão de Casares. Outro nome que deixou o clube foi Antônio Donizete, o Dedé, então diretor-geral do clube social, cuja saída já era alvo de pressão interna.

Massis reconheceu publicamente que esteve distante do dia a dia do clube nos últimos anos, atribuindo isso à centralização de decisões do antigo presidente. A nova gestão afirma ter como prioridade ampliar a transparência e reduzir a personalização da administração, crítica recorrente que pesava sobre Casares e que contribuiu para o processo de impeachment.

Na tentativa de marcar essa mudança, o presidente recebeu jornalistas no CT da Barra Funda nesta sexta-feira. Em tom informal, destacou sua trajetória mais ligada à torcida do que à política interna do clube e afirmou que pretende manter diálogo aberto com diferentes setores.

Com mandato até o fim de 2026, Massis afirma que não será candidato à presidência nem apoiará nomes na próxima eleição. O objetivo declarado é atuar como figura de transição, buscando reaproximar grupos que integravam a antiga base de apoio de Casares e setores da oposição.

Para isso, nomeou Marcelo Pupo, ex-presidente do Conselho Deliberativo, como interlocutor político. Pupo ficará responsável por ouvir conselheiros, buscar consensos e levar propostas ao presidente. A estratégia já foi utilizada em decisões iniciais da nova gestão.

No campo esportivo, Massis afirmou que a prioridade é preservar o ambiente interno. Seu primeiro compromisso no cargo foi uma reunião com jogadores e comissão técnica. Ele conversou separadamente com os capitães Calleri e Rafael e também manteve diálogo com o técnico Hernán Crespo.

Entre os compromissos assumidos está a renegociação de dívidas referentes a direitos de imagem, com parcelamento dos valores atrasados e garantia de pagamentos em dia a partir deste momento. A gestão também busca um novo coordenador de futebol, após a saída de Muricy Ramalho. O nome de Rafinha é o mais bem avaliado internamente, enquanto o executivo Rui Costa deve ser mantido no cargo.

Fora de campo, Massis adota um perfil menos protagonista em debates políticos do futebol nacional, como os que envolvem a Libra, mas defende relações institucionais estáveis. Ele elogiou publicamente Osmar Stábile, presidente do Corinthians, e também Leila Pereira, mandatária do Palmeiras, sinalizando apoio em pautas comuns aos clubes.

A tentativa de pacificação inclui a relação com o Palmeiras, marcada por tensões recentes envolvendo arbitragem. Um encontro entre Massis e Leila Pereira está previsto para este sábado, antes do clássico entre as equipes, na Arena Barueri, pelo Campeonato Paulista.

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