
Julio Casares ficou a poucos passos de se tornar o primeiro presidente destituído por impeachment na história do São Paulo Futebol Clube. A possibilidade, porém, não se concretizou. Cinco dias após o Conselho Deliberativo aprovar sua destituição, o dirigente optou pela renúncia ao cargo, encerrando um mandato marcado por forte desgaste político e institucional.
Casares estava afastado da presidência e aguardava a realização de uma assembleia geral de sócios, prevista para o início de fevereiro, que decidiria se a decisão do Conselho seria confirmada. Uma eventual derrota nessa etapa poderia resultar em punições mais duras, como a perda de direitos políticos no clube. A renúncia interrompeu o processo antes desse desfecho.
Com a saída, Julio Casares passa a integrar uma lista histórica de presidentes que deixaram o comando do São Paulo antes do fim do mandato. Ao todo, o clube do Morumbi já soma 11 renúncias desde a fundação, atravessando diferentes períodos da sua trajetória esportiva e administrativa.
A primeira renúncia ocorreu ainda nos primórdios do São Paulo. Em março de 1935, João Baptista da Cunha Bueno, apenas o segundo presidente da história do clube, deixou o cargo após oito meses de gestão. Nos anos seguintes, outras saídas marcaram um período de instabilidade administrativa.
Entre os nomes que renunciaram está Paulo Machado de Carvalho, figura histórica do futebol brasileiro e que dá nome ao Estádio do Pacaembu. Ele foi o único presidente a renunciar duas vezes: a primeira em novembro de 1940 e a segunda em setembro de 1947, após retornar ao cargo no fim de 1946.
A renúncia mais recente antes de Casares havia ocorrido em outubro de 2015, quando Carlos Miguel Cástex Aidar deixou a presidência em meio a denúncias de corrupção envolvendo sua gestão. Após sua saída, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, assumiu o comando do clube e permaneceu no cargo até 2020.
Julio Casares assumiu a presidência em 1º de janeiro de 2021, sucedendo Leco, e agora encerra o ciclo seguindo o mesmo caminho adotado por outros dirigentes que enfrentaram crises internas no clube.
Fora dos bastidores, o São Paulo tenta reorganizar o ambiente também dentro de campo. Após a derrota para o Mirassol na estreia do Campeonato Paulista, a equipe volta a jogar nesta quinta-feira (15), pela segunda rodada da competição. O Tricolor recebe o São Bernardo no MorumBis, às 21h45, em busca da primeira vitória na temporada.
Enquanto o time tenta reagir no estadual, o clube vive um período de transição administrativa, com reflexos diretos na condução política e no planejamento esportivo para a sequência do ano.
Presidentes que renunciaram ao cargo no São Paulo
João Baptista da Cunha Bueno (1935)
Manoel do Carmo Mecca (1936)
Frederico Antônio Germano Menzen (1938)
Cid Mattos Vianna (1938)
Piragibe Nogueira (1940)
Paulo Machado de Carvalho (1940)
Décio Pacheco Pedroso (1946)
Roberto Gomes Pedroza (1946)
Paulo Machado de Carvalho (1947)
Carlos Miguel Cástex Aidar (2015)
Julio Casares (2026)

