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15 de janeiro de 2026 - 15h01
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CRISE NO TRICOLOR

Investigação sobre supostos desvios no São Paulo avança às vésperas de votação contra Casares

Inquérito foi enviado a vara especializada em crime organizado e lavagem de dinheiro; Conselho vota impeachment nesta sexta

15 janeiro 2026 - 12h55Rodrigo Sampaio
Júlio Casares, presidente do São Paulo, é alvo de investigação que avançou às vésperas da votação de impeachment.
Júlio Casares, presidente do São Paulo, é alvo de investigação que avançou às vésperas da votação de impeachment. - Foto: Imagem Ilustrativa / A Critica

Às vésperas da votação que pode resultar no afastamento do presidente do São Paulo Futebol Clube, Júlio Casares, a investigação que apura um suposto esquema de desvio de recursos do clube avançou para uma nova fase. O inquérito foi remetido a uma Vara Especializada em Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores, com aval do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A informação foi divulgada pelo Uol e confirmada pelo Estadão.

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A remessa ocorre em meio à intensificação das apurações, que passaram a contar com uma força-tarefa criada recentemente pelo MP-SP. A mudança de vara indica o entendimento de que os fatos investigados podem extrapolar irregularidades administrativas e envolver crimes mais complexos, como lavagem de dinheiro e associação criminosa.

A Polícia Civil investiga a retirada de R$ 11 milhões em dinheiro vivo das contas do São Paulo entre 2021 e 2025, período que corresponde à gestão de Júlio Casares. Segundo o inquérito, foram realizados 35 saques diretamente na boca do caixa, prática que dificulta o rastreamento do destino dos valores. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que as movimentações foram consideradas atípicas pelas instituições bancárias.

A defesa do clube sustenta que os recursos teriam sido utilizados para “compromissos rotineiros do futebol que exigem dinheiro em espécie”, argumento que passou a ser analisado pelos investigadores à luz do volume sacado e da frequência das operações.

Além das movimentações nas contas do clube, a investigação também apura depósitos realizados na conta pessoal de Júlio Casares. De acordo com o Coaf, entre janeiro de 2023 e maio de 2025, foram identificados R$ 1,5 milhão em créditos, feitos por meio de 132 operações em dinheiro vivo. O relatório destaca que os valores não são compatíveis com a remuneração mensal do presidente, fixada em R$ 27,5 mil, cargo que ele exerce de forma exclusiva.

A defesa de Casares afirma que os recursos têm origem lícita. Segundo o advogado Bruno Borragine, que integra a equipe jurídica do dirigente, os valores são fruto de economias acumuladas antes de ele assumir a presidência do clube. “Trata-se de dinheiro de economias do Júlio, enquanto ele trabalhava no mercado privado. Ele fez uma reserva financeira. Quando ele assumiu como presidente, com salário de R$ 27 mil, ele não tinha como manter a qualidade de vida que mantinha trabalhando na iniciativa privada”, afirmou ao Estadão. A defesa também informou que trabalha com o apoio de um perito contador para demonstrar a origem, o lastro e a finalidade dos recursos.

As apurações alcançaram ainda empresas terceirizadas que prestam serviços ao São Paulo. A Off Side, responsável pela logística em jogos de equipes da Série A, é apontada como possível empresa de fachada no inquérito da Polícia Civil. O foco da investigação também recai sobre dirigentes do clube, como Carlos Belmonte e Rui Costa, que negam qualquer irregularidade.

Em paralelo, a Polícia Civil apura um esquema clandestino de comercialização de um camarote no estádio MorumBis durante noites de shows. Diretores do clube, como Mara Casares e Douglas Schawrtzmann, aparecem em gravações relacionadas ao caso e se afastaram de seus cargos. O MP-SP solicitou a abertura de inquérito policial, enquanto o São Paulo instaurou sindicâncias interna e externa para apuração dos fatos.

Todo esse contexto antecede a reunião do Conselho Deliberativo do São Paulo, marcada para esta sexta-feira (16), quando será votado o pedido de impeachment de Júlio Casares. A votação ocorrerá de forma híbrida, com participação presencial e virtual dos conselheiros. O modelo foi mantido após a Justiça indeferir um agravo de instrumento apresentado pelo clube, que tentava garantir uma votação exclusivamente presencial.

Caso o impeachment seja aprovado, Casares será afastado provisoriamente do cargo até a convocação da Assembleia Geral, responsável por confirmar ou rejeitar a decisão do Conselho. O desfecho do processo pode redefinir o comando do clube em um dos momentos mais delicados de sua história recente.

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