
A três meses da Copa do Mundo de 2026, o comando técnico da seleção do Marrocos, adversária do Brasil na fase de grupos, virou tema de incerteza. Walid Regragui, treinador que levou o país à histórica semifinal do último Mundial, voltou aos holofotes depois da final polêmica da Copa Africana de Nações e, segundo veículos europeus, teria apresentado uma carta de demissão à federação local.
De acordo com a rádio francesa RMC Sports e o site especializado em mercado Foot Mercato, Regragui entregou o pedido de saída à Federação Marroquina de Futebol e já mantém conversas com clubes da Arábia Saudita para a sequência da carreira. A entidade, porém, nega qualquer pedido de renúncia.
Em nota oficial, a federação afirmou “negar categoricamente o que tem circulado em alguns meios de comunicação a respeito da renúncia do técnico da seleção nacional, Sr. Walid Regragui”.
O treinador assumiu a seleção em 2022 e, desde então, se tornou um dos técnicos mais valorizados do futebol africano, especialmente após a campanha no Catar, quando o Marrocos chegou pela primeira vez a uma semifinal de Copa do Mundo, sendo eliminado pela França.
Segundo as publicações francesas, Regragui estaria cansado e desgastado depois da disputa da Copa Africana de Nações, cujo desfecho reforçou o clima de pressão em torno do trabalho.
Na final contra Senegal, o Marrocos foi derrotado por 1 a 0, com gol de Papa Gueye aos 4 minutos da prorrogação. O jogo ficou marcado por confusão em campo, reclamações intensas da arbitragem e até ameaça de abandono da partida pelo lado senegalês.
No fim do tempo regulamentar, quando a decisão caminhava para a prorrogação, o árbitro Ndala Ngambo foi chamado pelo VAR para rever um lance dentro da área senegalesa. Em cobrança de escanteio a favor do Marrocos, Diouf agarrou e derrubou Brahim Diaz. Em campo, o juiz nada havia marcado. Após a revisão no vídeo, o pênalti foi assinalado.
A decisão gerou revolta dos jogadores do Senegal, que deixaram o campo e foram em direção ao vestiário, paralisando a partida por cerca de 15 minutos. Sadio Mané permaneceu no gramado e tentou convencer os companheiros a voltar.
Quando a bola finalmente voltou a rolar, Brahim Diaz teve a chance de decidir para o Marrocos, mas cobrou mal, com chute fraco e no centro do gol, desperdiçando o pênalti. Na prorrogação, o castigo veio com o gol de Papa Gueye, que garantiu o título senegalês.
Após o jogo, Regragui não poupou críticas. Ele classificou a final como uma imagem “vergonhosa” para o futebol africano, em um momento em que o continente tenta se fortalecer institucionalmente e busca mais protagonismo internacional. O Marrocos, inclusive, é candidato a sediar a Copa do Mundo de 2030 ao lado de Espanha e Portugal, e teme que episódios assim pesem negativamente na avaliação da Fifa.
Marrocos no caminho do Brasil em 2026
Mesmo diante da turbulência, o planejamento esportivo segue pressionado pelo calendário: Brasil e Marrocos se enfrentam na primeira fase da Copa do Mundo de 2026. As duas seleções estão no Grupo C e estreiam justamente uma contra a outra, no dia 13 de junho, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Haiti e Escócia completam a chave.
Com o desempenho recente em Copas e a base mantida, o Marrocos é visto como um adversário duro no grupo brasileiro. Por isso, qualquer dúvida sobre a permanência de Walid Regragui, ou eventual troca de comando às vésperas do torneio, pode ter impacto direto na preparação da equipe.
Por enquanto, a situação permanece em aberto: de um lado, relatos da imprensa europeia apontando carta de demissão e interesse saudita; de outro, a federação marroquina negando oficialmente qualquer renúncia. A definição sobre o futuro do treinador será decisiva para o rumo da seleção que mexeu com o mundo no Catar — e que volta ao centro das atenções agora às vésperas de reencontrar o Brasil em uma Copa.

