
Uma das principais novidades previstas para o Campeonato Brasileiro de 2026, o impedimento semiautomático dificilmente estará disponível logo na primeira rodada da competição, marcada para 24 de janeiro. A avaliação é de que a estreia da tecnologia no futebol brasileiro é “altamente improvável”, principalmente por entraves técnicos, prazos apertados e pela assinatura tardia do contrato com a empresa responsável pela implementação.
O sistema será conduzido pela Genius Sports, que já fornece a tecnologia para a Premier League. O acordo com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), fechado em novembro, prevê o uso do impedimento semiautomático como apoio ao VAR nas temporadas 2026 e 2027 do Brasileirão e da Copa do Brasil. Desde então, estão em andamento estudos técnicos e visitas a estádios da Série A.
Em entrevista à Trivela, o diretor de arbitragem da Genius Sports, Harry Lennard, ex-árbitro da Premier League, confirmou que o cronograma não permite a estreia imediata do recurso. Segundo ele, o curto intervalo entre a assinatura do contrato e o início do campeonato inviabiliza a conclusão do processo até janeiro.
Para que o sistema funcione plenamente, é necessária a instalação de 24 câmeras por estádio, com altura mínima e cobertura total do campo, além de servidores dedicados, conexão exclusiva de até 1.000 Mbps e garantia de estabilidade estrutural, sem vibração dos equipamentos. Também é exigido treinamento completo das equipes de arbitragem.
Desde novembro, equipes da Genius têm visitado arenas da Série A para avaliar a infraestrutura. A previsão é de que, até o fim de janeiro, 20 estádios passem por análise técnica. A empresa afirma que cada clube terá ao menos uma arena apta a receber a tecnologia ao longo da temporada.
Nesta semana, representantes da CBF e de clubes das Séries A e B estão na Inglaterra para reuniões sobre a implementação do sistema. Há diálogo constante entre a entidade e a empresa, mas ainda sem definição sobre a inclusão de outros estádios, como o Mané Garrincha, em Brasília, que costuma receber partidas do Brasileirão.
Quando o contrato foi firmado, a CBF chegou a anunciar que a certificação do sistema — o chamado Semi-Automatic Offside Technology (SAOT) — estaria pronta até 10 de janeiro para todos os estádios da Série A. O prazo, no entanto, não será cumprido. Procurada, a entidade não se manifestou até a publicação.
O atraso não é inédito. Na Inglaterra, o impedimento semiautomático só passou a ser utilizado na reta final da temporada 2024/25, a partir da 32ª rodada, após um período prolongado de testes para reduzir falhas.
Além do calendário apertado do futebol brasileiro, a dimensão territorial do país também pesa no cronograma. A logística envolve viagens frequentes, estádios compartilhados por mais de um clube e adaptações estruturais específicas em cada arena.
Mesmo sem a tecnologia disponível desde o início, o regulamento do Brasileirão não prevê qualquer impacto no andamento da competição. O texto aprovado pelos clubes estabelece que o VAR — e seus recursos associados — pode ser utilizado em todas ou apenas algumas partidas, sem que eventuais falhas sirvam de base para suspensão, anulação ou questionamentos jurídicos dos jogos.
Enquanto isso, a expectativa é de que o impedimento semiautomático seja incorporado gradualmente ao longo da temporada, após a conclusão das adequações técnicas exigidas.

