
A discussão sobre racismo voltou ao centro da Champions League nesta terça-feira após o confronto entre Benfica e Real Madrid. Durante a transmissão da CBS Sports, o ex-atacante francês Thierry Henry saiu em defesa de Vinícius Júnior, criticou a atitude de Prestianni e questionou a postura do técnico José Mourinho diante do episódio.
Henry afirmou que se identifica com a situação vivida pelo atacante brasileiro e relembrou experiências pessoais nos gramados. “Eu me identifico com o que o Vini Jr. está passando e sou solidário a ele. Aconteceu comigo tantas vezes”, declarou. Segundo ele, em ocasiões semelhantes, chegou a ser acusado de usar o racismo como desculpa após partidas.
O comentarista destacou que a reação de Vinícius indica que algo grave ocorreu em campo. Ele observou que Prestianni cobriu a boca com a camisa ao falar, o que, na avaliação do francês, levanta suspeitas. “Como não sabemos o que ele disse, já que foi muito ‘corajoso’ e cobriu a boca para não vermos, então você já parece suspeito”, afirmou.
Henry também mencionou o momento em que Mbappé confrontou o jogador argentino. De acordo com o ex-atacante, Prestianni respondeu ao francês que “não disse nada”. Para Henry, essa versão não convence. “Você deve ter dito alguma coisa, no mínimo”, declarou.
O ex-jogador afirmou ainda que entende o sentimento de isolamento enfrentado por atletas que passam por esse tipo de situação. Ele relembrou que, em sua época, também ouviu de árbitros que nada poderia ser feito durante a partida. Para Henry, o apoio imediato de companheiros, como ocorreu com Mbappé em defesa de Vinícius, é fundamental.
Em tom crítico, ele ironizou a negativa de Prestianni e cobrou que o jogador esclareça publicamente o que foi dito em campo. “Vamos ver quão grande homem ele é. Diga-nos o que você disse”, afirmou.
Henry também comentou a declaração de José Mourinho, que teria dito a Vinícius que, após marcar um golaço, deveria ter ido para os ombros dos companheiros, em vez de dançar diante da torcida portuguesa que o vaiava. Para o comentarista, o treinador desviou o foco da questão principal. “Eu queria saber o que o jogador dele disse. Ele desviou o assunto para falarmos de outra coisa, ele é muito bom nisso”, concluiu.
O episódio reacende o debate sobre racismo no futebol europeu e expõe, mais uma vez, a dificuldade de responsabilização em casos que dependem de relatos e interpretações dentro de campo.
