
A segunda-feira foi de movimentação intensa na Vila Belmiro com a apresentação oficial de Gabigol como novo reforço do Santos. Aos 29 anos, o atacante retorna ao clube que o revelou para o futebol, assume a camisa 9 e diz estar motivado para escrever um novo capítulo da própria carreira onde tudo começou.
Diante dos jornalistas, Gabigol adotou um discurso marcado por memória afetiva e identificação com o clube. Ele contou que a volta ao Santos era um desejo antigo, amadurecido ao longo dos anos e impulsionado por pessoas próximas. O jogador relembrou a infância no clube, desde os oito anos, e citou a influência da família e da namorada, Rafaella Santos, além da relação antiga com o presidente Marcelo Teixeira.
“Em algum momento isso iria acontecer, sempre esteve na minha cabeça voltar para o Santos, para minha casa. Fui criado aqui dentro, desde os meus oito anos. Tudo começou em casa. Rafaella começou a falar para voltar para Santos, os meus pais também. Sempre tive uma vontade de voltar. Não esperava que seria assim. E também com o presidente Marcelo, que me conhece desde pequenininho, as coisas começaram a acontecer”, afirmou.
A apresentação ocorreu em meio à expectativa pela estreia do Santos no Campeonato Paulista. Questionado sobre a possibilidade de entrar em campo já no próximo sábado, Gabigol foi direto ao transferir a decisão para a comissão técnica comandada por Juan Pablo Vojvoda. Segundo o atacante, a escolha passa exclusivamente pelo treinador.
“Depende do Mister”, resumiu.
Parceria com Neymar e clima de vestiário - Outro tema abordado foi a convivência com Neymar, que também integra o elenco santista. Gabigol adotou um tom de proximidade e disse estar à disposição para ajudar o camisa 10 tanto dentro quanto fora de campo. Ele revelou que os dois conversaram após a negociação ser concluída e destacou a chance de viver uma parceria mais próxima no clube.
“Estou pronto para poder ajudar o Neymar a estar muito bem dentro e fora de campo. A gente conversou quando ficou tudo certo. Estamos muito felizes por compartilhar vestiário e campo. Na seleção foi muito rápido e agora a gente vai poder viver perto”, comentou.
Passagem recente e escolha pelo Santos - Gabigol também falou sobre o momento vivido antes do retorno à Vila. Em 2025, o atacante teve uma passagem discreta pelo Cruzeiro, com poucos minutos em campo e atuação como reserva de Kaio Jorge. Ao ser questionado se a volta ao Santos poderia ser interpretada como um passo atrás na carreira, o jogador rejeitou a leitura e usou o peso histórico do clube como argumento.
“Se o passo atrás for voltar para o maior time da Terra... Não tem passo para trás melhor do que este. O tanto de ídolo que o Santos tem, a torcida que o Santos tem, este estádio aqui, onde o Rei jogou. Praticamente o único time que joga com a coroa aqui em cima, não vejo como isso. Eu vejo como uma história”, declarou.
Na sequência, Gabigol destacou o contexto histórico do Santos, citando momentos em que o clube enfrentou críticas e respondeu dentro de campo. Ele afirmou que o retorno também representa uma necessidade pessoal.
“A história do Santos é esta. Praticamente sempre foi assim, a mídia contra o Santos, e a gente sempre deu a volta por cima. Eu preciso mais do Santos do que o Santos de mim”, completou.
Cobranças, comemorações e personalidade - Conhecido pelo estilo provocador e pelas comemorações marcantes, Gabigol deixou claro que não pretende mudar sua forma de agir dentro de campo. O atacante afirmou respeitar todos os clubes, mas disse que reage a provocações e que celebrar gols faz parte de sua identidade como jogador.
“Eu sou um jogador que respeito todos os clubes. Eu não sou o tipo que leva desaforo para casa, às vezes erro com isso. Comemorar gol é especial. Se me xingarem, se me tratarem da maneira que eu não acho correta, vou comemorar, sim”, disse.
Experiência e papel no elenco - Com trajetória marcada por títulos e convocações para a seleção brasileira, Gabigol afirmou que chega ao Santos disposto a compartilhar experiência com os mais jovens e também a aprender com o grupo. Ele citou o ambiente do clube como algo que desperta lembranças constantes e mencionou nomes do atual elenco que convivem com o peso da história santista.
“Estou aqui para ajudar não só os meninos, mas os outros, e também ser ajudado. Sempre passa um filme na cabeça em Santos. Eu sento aqui e vejo os ídolos, chego no CT, vejo o Robinho Jr., o Bontempo. O que eles precisarem de mim, sabem que podem contar comigo”, afirmou.
O Santos inicia sua caminhada no Campeonato Paulista neste sábado, às 16h, na Vila Belmiro. O adversário será o Novorizontino, em partida que marca o primeiro compromisso oficial da equipe comandada por Juan Pablo Vojvoda na competição estadual. A presença de Gabigol em campo ainda depende da avaliação da comissão técnica.

