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06 de fevereiro de 2026 - 23h02
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FUTEBOL NACIONAL

Clubes da Série B criticam gestão comercial da FFU e falam em desvalorização da competição

Documento assinado por 18 equipes aponta falhas em contratos, falta de transparência e conflito de interesses

6 fevereiro 2026 - 21h45Ricardo Magatti
Clubes da Série B se mobilizam e cobram mudanças na gestão comercial da Futebol Forte União.
Clubes da Série B se mobilizam e cobram mudanças na gestão comercial da Futebol Forte União. - (Foto: Divulgação/CBF)

Às vésperas do início do Campeonato Brasileiro da Série B, 18 clubes que integram a Futebol Forte União (FFU), antiga Liga Forte União (LFU), divulgaram um documento com críticas duras à condução das negociações comerciais do bloco. O texto, ao qual o Estadão teve acesso, expõe o que os dirigentes classificam como “insatisfação e profunda preocupação” com a gestão dos contratos de transmissão, a governança dos recursos financeiros e a forma como a Série B vem sendo tratada dentro da estrutura da liga.

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No manifesto, os clubes elencam 11 pontos considerados críticos e cobram esclarecimentos imediatos. Entre as principais reclamações estão falhas na gestão dos direitos de transmissão, desvalorização institucional da Série B, queda no valor das cotas, ausência de transparência nas negociações comerciais e riscos à sustentabilidade financeira das equipes que disputam a competição.

Os signatários afirmam que existe um “descompasso alarmante” entre as promessas feitas no lançamento do projeto de liga e a realidade enfrentada atualmente pelos clubes da segunda divisão. Na avaliação dos dirigentes, a Série B vem sendo tratada como um produto secundário, com concentração desproporcional de esforços comerciais e de marketing na Série A.

“O produto que oferecemos ao mercado é robusto, possui torcidas nacionais e alta competitividade, mas a atual postura da liderança trata a segunda divisão como um subproduto acessório, falhando em vender a relevância real da competição para o mercado publicitário e de mídia”, afirma o documento.

Outro ponto sensível levantado pelos clubes é a alegação de conflito de interesses envolvendo investidores da FFU, a empresa LiveMode e a CazéTV, plataforma da qual a empresa de mídia e marketing esportivo é sócia. Segundo os dirigentes, essa relação “gera dúvidas sobre a imparcialidade das decisões e a real defesa dos interesses coletivos”, além de ter provocado desgaste institucional na relação com o Grupo Globo, tradicional parceiro de transmissão do futebol brasileiro.

A carta também aponta falta de previsibilidade orçamentária. Os clubes relatam que não recebem com antecedência informações claras sobre os valores que terão direito a receber nem sobre o cronograma de repasses. Isso, segundo eles, compromete o planejamento financeiro, a montagem de elencos e o cumprimento de obrigações trabalhistas e tributárias ao longo da temporada.

Além disso, os dirigentes alertam para um possível desequilíbrio na alocação de recursos dentro do bloco, o que poderia ferir o princípio da isonomia entre os clubes e impactar diretamente a competitividade esportiva da Série B.

Assinam o documento representantes de América-MG, Athletic, Atlético-GO, Avaí, Botafogo-SP, Ceará, CRB, Criciúma, Cuiabá, Fortaleza, Goiás, Juventude, Londrina, Novorizontino, Operário-PR, Ponte Preta, Sport e Vila Nova.

Entre os clubes da Série B, apenas Náutico e São Bernardo não assinaram a carta. As duas equipes não fazem parte nem da FFU nem da Libra e optaram por negociar seus direitos de transmissão de forma independente, com intermediação da CBF, após avaliarem que poderiam obter melhores condições fora dos blocos.

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