
O clássico entre Fluminense e Botafogo, disputado na última quinta-feira (12) no Maracanã, serviu de laboratório para o novo sistema de impedimento semiautomático que a Confederação Brasileira de Futebol pretende implantar no país. A partida, válida pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro, marcou a primeira bateria de testes do SAOT, tecnologia desenvolvida em parceria com a Genius Sports.
Durante o jogo, o sistema analisou lances de impedimento e, segundo avaliação interna da CBF, as decisões tomadas pela arbitragem em campo coincidiram com as leituras feitas pela tecnologia. Entre os recursos utilizados estão imagens tridimensionais que reproduzem os jogadores em formato digital, recurso aplicado principalmente em jogadas de difícil interpretação.
Em um dos lances avaliados, Renê aparece em posição adiantada em relação a Alex Telles, que define a linha de impedimento. Em outro momento, Luciano Acosta surge em condição legal, com Alexandre Barboza garantindo a regularidade da jogada.
Apesar dos testes, os árbitros ainda não têm acesso às imagens durante as partidas. O material segue restrito ao processo de validação técnica, enquanto a entidade analisa os resultados antes de decidir pela adoção definitiva do sistema nas competições nacionais.
Após o Maracanã, a estrutura do impedimento semiautomático será instalada na Arena do Grêmio, Arena MRV, Allianz Parque, Maião, Arena Fonte Nova e Vila Belmiro. O estádio carioca ainda passará por nova rodada de testes.
Presidente do Grupo de Trabalho da Arbitragem da CBF, Netto Góes afirmou que a tecnologia tem como objetivo auxiliar o árbitro na tomada de decisão e dar mais clareza às marcações, com exposição das imagens ao público e aos dirigentes. Segundo ele, o sistema também contribui para melhorias estruturais nos estádios e amplia a coleta de dados sobre movimentação e desempenho dos atletas, informações que serão organizadas e repassadas aos clubes, com custos previstos em contrato entre a CBF e a empresa responsável.

