
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) negou que tenha havido interferência externa na decisão que resultou na expulsão de Carrascal, do Flamengo, durante a Supercopa Rei, vencida pelo Corinthians por 2 a 0. O lance ocorreu antes do reinício da partida, ainda no intervalo, após revisão do VAR conduzida por Rodolpho Toski Marques, com a presença do observador do VAR, Péricles Bassols.
A atuação de Bassols durante a checagem foi questionada pelo comentarista de arbitragem Paulo Caravina, que levantou a hipótese de influência indevida na decisão. Em resposta, a CBF afirmou que a presença do observador está prevista no protocolo e que não houve qualquer recomendação sobre a decisão a ser tomada pelo árbitro de campo.
Segundo a entidade, o observador do VAR não pode participar da tomada de decisões, exceto para impedir violações do protocolo. “Péricles Bassols limitou-se a reforçar que o procedimento adotado estava em conformidade com as diretrizes do VAR, sem qualquer recomendação sobre a decisão a ser tomada pelo árbitro”, informou a CBF, em nota. Ainda de acordo com a confederação, orientar sobre procedimentos faz parte das atribuições do cargo e não caracteriza interferência externa.
O lance que gerou a expulsão aconteceu no fim do primeiro tempo, quando Carrascal agrediu Breno Bidon fora da disputa de bola. A ação não foi vista pelo árbitro de campo, Rafael Klein, e a etapa inicial foi encerrada com as equipes seguindo para os vestiários.
A checagem do VAR continuou durante o intervalo. Inicialmente, a varredura das imagens disponíveis não identificou de forma conclusiva a conduta violenta. A imagem determinante, no entanto, foi localizada apenas durante o intervalo, o que, segundo a CBF, é permitido pelas regras.
“No lance em questão, ao término do primeiro tempo, a varredura realizada pelo árbitro assistente de vídeo, com base nas imagens das 34 câmeras disponíveis, não identificou de forma conclusiva uma possível conduta violenta. A imagem que evidenciou o lance foi detectada apenas durante o intervalo da partida, procedimento que está expressamente amparado pelo Livro de Regras do Jogo”, afirmou a entidade.
Nas imagens da cabine do VAR, Bassols aparece ao lado de Rodolpho Toski Marques e do assistente Emerson de Almeida Ferreira. Durante a revisão, Bassols reforça que casos de conduta violenta podem ser analisados a qualquer momento da partida, inclusive após o término de um tempo de jogo. A explicação foi repetida por Toski Marques ao árbitro de campo.
“Eu vou te mostrar o ponto de contato, Klein, e depois em velocidade em 30%. Você vai ver a mão fechada, fora da disputa de bola, uma conduta violenta atingindo o queixo do adversário”, explicou o árbitro de vídeo. Após a análise das imagens, Rafael Klein confirmou a expulsão.
“Eu vejo o jogador fora da disputa da bola fazendo o movimento de soco, com a mão fechada, em direção a uma parte sensível do adversário, que é o rosto. A minha decisão é cartão vermelho para o número 15 por conduta violenta”, declarou o árbitro.
Em outro comunicado divulgado ainda no domingo, a CBF informou que a partida também foi afetada por uma queda de energia elétrica em setores do estádio, incluindo a cabine do VAR, durante o intervalo. O sistema de contingência manteve o funcionamento do VAR por cerca de 15 minutos. Como o fornecimento de energia não foi restabelecido de forma imediata, o jogo seguiu sem o uso do VAR entre os 15 e os 34 minutos do segundo tempo.
Dentro de campo, o Corinthians abriu o placar no primeiro tempo com Gabriel Paulista, de cabeça. Já no período em que o VAR estava fora do ar, Memphis Depay chegou a marcar, mas o gol foi anulado por impedimento. Nos acréscimos, Yuri Alberto confirmou a vitória alvinegra por 2 a 0 e garantiu o título da Supercopa Rei.

