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07 de janeiro de 2026 - 21h08
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CRISE FINANCEIRA

Retenção de prêmio reacende debate sobre dívida da Arena do Corinthians

Bloqueio de R$ 35 milhões pela Caixa expõe cláusulas do contrato e limita uso do dinheiro da Copa do Brasil

6 janeiro 2026 - 20h00Bruno Accorsi e Rodrigo Sampaio
Bloqueio de parte do prêmio da Copa do Brasil reacendeu debate sobre a dívida da Arena do Corinthians.
Bloqueio de parte do prêmio da Copa do Brasil reacendeu debate sobre a dívida da Arena do Corinthians. - (Foto: Corinthians)

O bloqueio de R$ 35 milhões feito pela Caixa Econômica Federal sobre a premiação da Copa do Brasil recebida pelo Corinthians acendeu um alerta entre torcedores e voltou a colocar no centro do debate a situação financeira da Arena em Itaquera. A diretoria alvinegra contesta a medida e afirma que o banco estaria antecipando juros de 2026 com receitas referentes a 2025. A Caixa, por sua vez, sustenta que agiu dentro das garantias previstas em contrato firmado em 2022.

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Pela conquista do título, o Corinthians recebeu R$ 77 milhões pagos pela CBF. Cerca de metade do valor foi destinada ao pagamento do chamado bicho, a premiação aos jogadores. O restante seria usado para compromissos imediatos do clube, como a regularização de pendências que resultaram em transfer ban.

No entanto, a parcela retida foi direcionada a uma chamada conta reserva, prevista no acordo com a Caixa. Apesar de estar em nome do Corinthians, essa conta só pode ser movimentada pelo banco. O objetivo do mecanismo é garantir o cumprimento das obrigações financeiras caso outras fontes de receita não sejam suficientes.

De acordo com o contrato, é obrigatório que a conta reserva mantenha recursos equivalentes a quatro parcelas trimestrais de amortização do principal e dos juros da dívida da Arena. A recomposição dessa reserva ocorre, prioritariamente, com 50% das premiações esportivas e 30% das receitas brutas obtidas com venda ou transferência de jogadores.

O Corinthians tinha prazo até 31 de dezembro de 2025 para completar integralmente esse saldo mínimo. Cada parcela varia entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões, conforme a taxa de juros aplicada, o que exige um montante total entre R$ 80 milhões e R$ 120 milhões na conta. O prêmio da Copa do Brasil corresponde justamente à última parcela necessária para atingir esse patamar. O próximo vencimento está previsto para março.

Caso o clube não mantenha o valor exigido e não recomponha o saldo em até 90 dias após notificação, o contrato prevê a caracterização de inadimplemento. Nessa situação, a Caixa pode bloquear recursos em outras contas do projeto e até declarar o vencimento antecipado de toda a dívida. Por esse motivo, o banco trata a retenção como cumprimento das metas de liquidez acordadas.

Dívida elevada e garantias amplas

A dívida total do Corinthians atualmente gira em torno de R$ 2,7 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 650 milhões correspondem ao financiamento da Arena com a Caixa. Para assegurar o pagamento, o contrato estabelece uma série de garantias, que incluem participações acionárias, ativos imobiliários e a alienação fiduciária da sede social do clube e do imóvel do Parque São Jorge.

O acordo também determina que determinadas decisões institucionais passem pelo aval do banco e define a participação da Caixa em diferentes fontes de receita do clube. O fluxo financeiro vinculado ao estádio inclui 50% da bilheteria até 2024, percentual que sobe para 55% entre 2025 e 2027, além de 100% das receitas de naming rights e dos direitos de transmissão relacionados à Arena.

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