
Enquanto se prepara para enfrentar o Corinthians na Arena da Baixada, com público limitado por punição no Brasileirão, o Athletico-PR recebeu mais um problema fora de campo: o clube foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) a indenizar o jornalista esportivo Napoleão de Almeida por ataques à sua honra em nota publicada no site oficial em 2019.
A decisão já transitou em julgado, ou seja, não cabe mais recurso. O processo teve origem em uma resposta do Athletico a uma reportagem do jornalista sobre a venda de réplicas de medalhas da conquista da Copa Sul-Americana de 2018.
Na época, o clube divulgou o texto intitulado “A verdade sobre as medalhas da Copa Sul-Americana”, em que contestava a matéria e explicava que, das 40 medalhas entregues pela Conmebol, oito teriam sido repassadas a uma ONG, vendidas por R$ 1,5 mil cada em uma ação social. O Athletico ainda afirmou ter pedido outras 50 medalhas à entidade e garantiu que todas as comercializadas eram originais.
O tribunal reconheceu o direito do clube de se manifestar, mas entendeu que o tom usado na nota ultrapassou os limites da crítica. De acordo com a decisão, o texto publicado pelo Athletico desqualificou o trabalho do jornalista, chamando-o de “pseudo jornalista” e atribuindo a ele postura de perseguição ao clube e ao então presidente, Mario Celso Petraglia.
Para o Judiciário, esse tipo de ataque “não esclarece nada” sobre o tema central, a questão das medalhas, e “atingiu a liberdade de expressão e a dignidade do jornalista”. O clube também alegou que a reportagem teria ofendido toda a torcida rubro-negra, argumento que foi rejeitado pelo juiz, que confirmou a indenização.
Em nota da defesa, o advogado Pedro Botan Cíceri, representante de Napoleão de Almeida, afirmou que a decisão reforça limites para o uso de plataformas oficiais de clubes e empresas.
Segundo ele, o entendimento do TJPR mostra que o direito de resposta e a liberdade de expressão “não podem servir de escudo para ataques pessoais ou à imagem profissional” e que o ambiente digital segue sujeito às regras de responsabilidade civil e de urbanidade, mesmo em situações de divergência.
Até o momento, o Athletico-PR não se manifestou publicamente sobre a condenação.
