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29 de janeiro de 2026 - 23h31
SENAR
CINEMA

Wagner Moura celebra indicação histórica ao Oscar e mira novos desafios em Hollywood

Ator diz que reconhecimento não muda sua rotina e afirma querer trabalhar com diretores como Scorsese e Paul Thomas Anderson

29 janeiro 2026 - 22h00Gabriela Caputo
Wagner Moura é o protagonista de 'O Agente Secreto'.
Wagner Moura é o protagonista de 'O Agente Secreto'. - (Foto: Vitor Jucá/CinemaScopio/Divulgação)

Em entrevista à revista Variety, Wagner Moura comentou a indicação histórica ao Oscar por O Agente Secreto e falou sobre os próximos passos de sua carreira internacional. O ator brasileiro destacou a importância do reconhecimento, mas ressaltou que encara o momento com equilíbrio e sem perder a conexão com a vida pessoal.

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Segundo Moura, a indicação representa o ponto mais alto de sua trajetória profissional, mas não altera sua percepção sobre o que realmente importa. “Profissionalmente, este é provavelmente o momento de maior reconhecimento da minha carreira. Mas a vida não para. Após a indicação, abracei minha esposa e meus filhos, e então a vida continuou. Isso me mantém com os pés no chão”, afirmou.

O ator disse ainda que vive o momento com alegria, sobretudo por se tratar de um filme brasileiro ganhando projeção internacional. “Este é um momento lindo, especialmente porque é um filme brasileiro recebendo essa atenção. Estou realmente feliz. Mas já vivi o suficiente para entender que isso não é a vida real. Assim que a euforia passar, serei marido e pai novamente”, completou.

Na conversa com a Variety, Wagner Moura revelou que espera que a indicação ao Oscar amplie seu acesso a grandes nomes do cinema mundial. Entre os desejos profissionais, ele citou diretores consagrados e atores de sua geração.

“Adoraria trabalhar com Paul Thomas Anderson. Adoraria estar em um filme dirigido por Martin Scorsese. Quero almoçar com Leonardo DiCaprio, que tem mais ou menos a minha idade”, disse. Para Moura, a principal expectativa é que a indicação o coloque no radar desses profissionais. “Se esta indicação me trouxer alguma coisa, será isso: ser considerado. Isso já seria o suficiente”, avaliou.

O encontro com DiCaprio, inclusive, já está previsto. Em fevereiro, o Oscar realiza o tradicional almoço dos indicados. Moura concorre na categoria de Melhor Ator ao lado do americano, além de Timothée Chalamet, Michael B. Jordan e Ethan Hawke.

O ator também aproveitou a entrevista para refletir sobre a representação latina em Hollywood e os estereótipos frequentemente associados a atores da América Latina. Ele lembrou que, após o sucesso da série Narcos, recebeu diversas propostas para interpretar personagens semelhantes.

“A quantidade de ofertas que recebi depois de Narcos para interpretar exatamente o mesmo tipo de personagem… Tive que dizer não porque é uma percepção que existe sobre o nosso povo. Foi ótimo, mas eu não quero continuar reforçando esse estereótipo”, afirmou.

Segundo Moura, seu objetivo é ampliar os tipos de papéis que atores latinos podem ocupar. “Eu queria interpretar jornalistas, médicos, engenheiros — seja lá o que formos. Somos a maior parte desta sociedade. Quero interpretar os mesmos personagens que os atores brancos americanos interpretam”, disse.

Ele concluiu destacando que não vê problema em manter sua identidade cultural. “Não preciso interpretar um cara chamado José. Me dê o Michael, e sabe o que acontece? O cara vai falar exatamente como eu falo, com este sotaque. Porque eu represento muitas pessoas que falam exatamente como eu”, finalizou.

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