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18 de janeiro de 2026 - 21h51
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ATOR

Wagner Moura cita Bolsonaro em talk show nos EUA ao falar de filme sobre o Brasil pós-ditadura

Ator relaciona enredo de O Agente Secreto ao período entre 2018 e 2022 e critica a herança da ditadura militar

18 janeiro 2026 - 20h00Juliana Prado
Wagner Moura em cena de O Agente Secreto, que recebeu três indicações em premiação internacional de críticos de cinema.
Wagner Moura em cena de O Agente Secreto, que recebeu três indicações em premiação internacional de críticos de cinema. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Durante a turnê de divulgação do filme O Agente Secreto nos Estados Unidos, o ator Wagner Moura participou do tradicional talk show americano The Daily Show, apresentado por Jordan Klepper. Na entrevista, exibida nos EUA, o brasileiro citou o ex-presidente Jair Bolsonaro ao relacionar o enredo do longa com o contexto político do Brasil após a ditadura militar.

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Segundo Wagner Moura, o filme nasceu de uma inquietação compartilhada entre ele e o diretor Kleber Mendonça Filho diante do cenário político brasileiro entre 2018 e 2022. Ao comentar o reconhecimento internacional da produção, o ator afirmou que chegou a mencionar Bolsonaro em discursos de agradecimento.

“O filme tem recebido um grande reconhecimento desde o Festival de Cannes. E em um dos prêmios que recebi, eu agradecia a ele (Bolsonaro). Sem ele, não teríamos feito o filme”, disse Moura durante o programa. Em seguida, explicou o contexto da afirmação. “O filme nasce a partir da perplexidade compartilhada por mim e Kleber Mendonça Filho diante do que estava acontecendo no Brasil entre 2018 e 2022. Este homem, que foi eleito democraticamente, veio para trazer de volta valores da ditadura militar para o Brasil do século XXI.”

Ao falar para o público americano sobre o período da ditadura militar no Brasil, que durou de 1964 a 1985, Wagner Moura também fez críticas diretas à Lei da Anistia, promulgada em 1979. Para o ator, o país conviveu por décadas com um problema de memória histórica.

“Existem coisas que não podem ser esquecidas e nem perdoadas”, afirmou. “O Brasil está, finalmente, superando um problema de memória ao mandar para prisão pela primeira vez pessoas que atentaram contra a democracia. O próprio Bolsonaro está na prisão. O Bolsonaro jamais teria existido politicamente se não fosse a anistia”, disse Moura, sendo aplaudido pela plateia do programa.

As declarações foram feitas enquanto o ator explicava ao público internacional como o passado autoritário do país ainda influencia o debate político brasileiro contemporâneo, tema central abordado em O Agente Secreto.

Durante a entrevista, Wagner Moura também comentou a recepção positiva do longa fora do Brasil. O Agente Secreto ganhou destaque desde sua exibição no Festival de Cannes e vem acumulando prêmios e indicações em festivais internacionais.

O ator aproveitou o espaço no programa para comentar a celebração após vencer o Globo de Ouro de melhor ator em um filme de drama. “Meus amigos estavam lá e nós celebramos com muito samba”, contou.

Em tom descontraído, ele relatou detalhes da comemoração. “Estávamos procurando algumas caipirinhas, mas elas não estavam muito boas. Então, eu fui procurar alguma vodca com água tônica para matar a vontade”, acrescentou, arrancando risos da plateia.

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