
O último episódio da quinta e derradeira temporada de Stranger Things, lançado em 31 de dezembro do ano passado, encerrou oficialmente a história da série após quase uma década. No desfecho apresentado pela Netflix, os moradores de Hawkins — Will, Mike, Lucas, Dustin, Onze e Max — conseguem derrotar Vecna e colocar fim à ameaça do Mundo Invertido.
Apesar do encerramento definitivo, o final dividiu opiniões. Parte do público criticou decisões narrativas tomadas pelos irmãos Duffer, criadores da produção. As reclamações vão desde a morte — ou ausência de mortes relevantes — de personagens, passando pelo destino de alguns casais, até apontamentos de supostas inconsistências no roteiro. O Volume 3 da temporada final acabou se tornando um dos desfechos mais debatidos da história recente da televisão.
É nesse cenário que surgiu uma teoria que ganhou força nas redes sociais e passou a circular intensamente entre fãs da série. Batizada de “Conformity Gate”, a especulação sugere que o final exibido não seria real, mas sim uma ilusão criada por Vecna.
Segundo essa interpretação, o vilão teria vencido a batalha final e aprisionado não apenas os personagens, mas também o público, em uma realidade paralela onde tudo aparenta ter terminado bem. A teoria vai além: defensores acreditam que a Netflix ainda lançaria um nono episódio secreto da quinta temporada, supostamente no dia 7 de janeiro, revelando o plano de Vecna e apresentando o “verdadeiro” encerramento da série.
Os argumentos usados pelos fãs se baseiam em uma série de detalhes do último episódio, especialmente nas cenas do epílogo. Um dos exemplos mais citados é a sequência da festa de formatura. Nela, os estudantes aparecem usando becas laranja, cor que, segundo os teóricos, remete à prisão e já foi associada a perigo em temporadas anteriores.
Outro ponto levantado é a postura corporal de vários personagens durante essa cena, vistos com as mãos posicionadas à frente do corpo, gesto associado a Vecna quando ainda assumia sua forma humana. Além disso, personagens como Nancy e Mike aparecem com cortes de cabelo semelhantes ao de Henry Creel, identidade original do vilão.
Há ainda questionamentos sobre a trajetória de Max. Para parte do público, o fato de a personagem ter permanecido em coma por quase dois anos e, ainda assim, se formar ao lado dos colegas, seria mais um indício de que a realidade apresentada não segue uma lógica concreta.
Na cena final da série, outro detalhe alimentou a teoria. Livros de Dungeons & Dragons guardados no armário de Mike formariam a frase “X A LIE”, interpretada por fãs como “X é mentira”, em referência à Dimensão X. Para esse grupo, a mensagem indicaria que os acontecimentos finais seriam apenas uma construção ilusória.
Erros de continuidade ao longo da série, como mudanças no design da camisa do Hellfire Club, também passaram a ser citados como supostas pistas deixadas propositalmente pelos criadores. Nas redes sociais, especialmente em plataformas como TikTok, Instagram e X, centenas de publicações compilam esses indícios, reunindo fãs de diferentes países em longas análises.
Apesar da repercussão, nem a Netflix nem os irmãos Duffer se pronunciaram sobre a teoria. A avaliação entre especialistas e parte do público é de que, embora criativa, a hipótese está distante da realidade.
É certo, no entanto, que o universo de Stranger Things continuará sendo explorado. Já estão confirmados uma série animada ambientada entre a segunda e a terceira temporadas, prevista para 2026, e um documentário sobre a temporada final, com estreia marcada para a próxima segunda-feira (12). Os criadores também confirmaram o desenvolvimento de um spin-off, que não será uma continuação direta da história original nem contará com os protagonistas da série.

