
Valentino Garavani deixou oficialmente as passarelas em 2008, encerrando uma das trajetórias mais marcantes da história da moda. A aposentadoria do estilista italiano, após quase cinco décadas à frente da própria marca, abriu caminho para uma série de mudanças na direção criativa da Valentino, que buscou preservar o legado do fundador ao mesmo tempo em que se adaptava aos novos tempos da indústria.
Desde então, a grife passou por diferentes nomes de peso, cada um responsável por conduzir a maison em fases distintas, com propostas estéticas próprias e leituras contemporâneas da herança deixada por Valentino.
Logo após a saída do fundador, a Valentino optou por uma transição interna. Maria Grazia Chiuri e Pierpaolo Piccioli, que já integravam a casa, foram escolhidos para assumir a direção criativa conjunta da marca.
Antes disso, a dupla havia trabalhado na Fendi, onde atuou no desenvolvimento de acessórios entre 1989 e 1999. Posteriormente, os dois se reuniram novamente na Valentino, onde passaram a construir uma identidade que dialogava com o romantismo clássico da grife, mas com linguagem mais atual.
Chiuri e Piccioli dividiram o comando criativo até 2016, período marcado por coleções que reforçaram o apelo artesanal da marca e ampliaram sua presença entre o público jovem, sem romper com a tradição da alta-costura.
Em 2016, Maria Grazia Chiuri deixou a Valentino para assumir a direção criativa da Dior. A partir daí, Pierpaolo Piccioli passou a liderar sozinho a grife italiana.
Durante sua gestão, Piccioli se firmou como um dos grandes nomes da moda contemporânea. Reconhecido pelo domínio das cores e pela valorização da diversidade nas passarelas, ele aprofundou a identidade autoral da Valentino, mantendo o refinamento histórico da marca e ampliando seu diálogo com temas atuais.
Após 25 anos de trabalho na maison, Piccioli deixou o cargo em 2024, encerrando um ciclo importante na história recente da grife.
Desde 2024, a Valentino está sob o comando de Alessandro Michele. O estilista ganhou projeção mundial durante sua passagem pela Gucci, onde atuou por 20 anos, sendo sete como diretor criativo, até deixar a marca em 2022.
Antes disso, Michele também teve passagem pela Fendi, onde trabalhou como designer sênior de acessórios. Sua chegada à Valentino marca uma nova fase, com expectativa de releitura mais ousada e contemporânea do legado deixado por Valentino Garavani.

