Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
19 de janeiro de 2026 - 18h22
sesi
BBB 26

Quarto Branco do BBB 26 gera debate sobre limites físicos e restrição alimentar

Declaração de participante sobre fome provoca reação de Tadeu Schmidt e levanta discussão técnica sobre saúde

19 janeiro 2026 - 17h00Erem Carla
Quarto Branco no 'BBB 26'.
Quarto Branco no 'BBB 26'. - (Foto: Globo/Divulgação)

A dinâmica do Quarto Branco no Big Brother Brasil 26 ultrapassou os limites do jogo e provocou debates dentro e fora da casa. A prova, que confinou participantes por mais de cinco dias, reacendeu discussões sobre restrição alimentar, riscos físicos e o uso de conceitos sensíveis, como fome, em dinâmicas de entretenimento.

Canal WhatsApp

A controvérsia ganhou força após um comentário feito por Matheus, um dos participantes que resistiram até o fim da dinâmica, durante o programa ao vivo. Ao relatar a experiência no confinamento, ele associou a vivência no Quarto Branco à realidade da fome no Brasil, declaração que foi rebatida imediatamente pelo apresentador Tadeu Schmidt.

Os participantes permaneceram confinados por 120 horas e 52 minutos em um ambiente de forte desgaste físico e psicológico. Durante a maior parte do período, a alimentação foi restrita a biscoitos tipo cream cracker e água mineral. Após 85 horas de prova, a produção também disponibilizou água de coco.

A disputa terminou de forma antecipada após o desmaio de Rafaella Jaqueira durante um dos desafios, o que levou a produção a encerrar a dinâmica por questões médicas.

Ao comentar o confinamento, Matheus fez uma associação direta entre a experiência da prova e a fome enfrentada por parte da população brasileira.

“A gente teve um propósito de só sair desmaiando, e a Rafaella honrou isso. A fome representou o que é o Brasil, e doeu a fome em nós”, afirmou o brother.

A fala provocou uma resposta imediata de Tadeu Schmidt, que fez questão de esclarecer os critérios adotados pela produção e de diferenciar a dinâmica do reality da realidade social do país.

“Vamos manter um certo critério na comparação, porque fome é tragédia, uma coisa terrível. Antes de oferecer biscoitos, a gente consultou nutricionistas, médicos e tínhamos biscoito, água de coco e a certeza de que ninguém ia passar mal por causa disso”, disse o apresentador.

O Estadão informou que entrou em contato com a produção da TV Globo para obter mais detalhes sobre os protocolos de saúde adotados na dinâmica e aguarda retorno.

Para aprofundar o debate, o Estadão ouviu a nutricionista Priscila Zambelli, que avaliou tecnicamente a dinâmica. Segundo ela, permanecer por tantas horas com ingestão restrita pode, sim, ser caracterizado como uma restrição alimentar significativa.

A especialista explica que a análise não se limita à existência de algum alimento disponível, mas considera fatores como quantidade calórica total, densidade nutricional e adequação ao gasto energético.

“Uma alimentação baseada apenas em biscoitos e água de coco tende a ser hipocalórica, pobre em proteínas e micronutrientes essenciais, além de insuficiente para sustentar adequadamente as funções metabólicas por um período prolongado”, afirma.

Zambelli destaca que, mesmo com ingestão mínima de calorias, o organismo entra em adaptação metabólica, utilizando reservas corporais e alterando a produção hormonal.

Ela também diferencia a sensação de fome relatada pelos participantes do conceito de insegurança alimentar.

“Sentir fome é uma resposta fisiológica individual e pode ocorrer mesmo em pessoas sem risco nutricional. Já a insegurança alimentar é uma condição estrutural, ligada à dificuldade de acesso regular e permanente a alimentos adequados, geralmente por razões socioeconômicas”, explica.

Mesmo em adultos saudáveis e sob monitoramento, a nutricionista aponta que a restrição alimentar prolongada pode provocar efeitos adversos relevantes, como queda da glicemia, tontura, fraqueza, confusão mental, redução do metabolismo basal, perda de massa muscular e alterações hormonais.

Em provas de resistência, sinais como hipotensão persistente, taquicardia, sudorese fria e episódios de desmaio são considerados alertas clínicos importantes.

“Um desmaio indica que os mecanismos de compensação do organismo foram ultrapassados e exige interrupção imediata e avaliação clínica”, conclui Zambelli.

A dinâmica também gerou reações entre os próprios participantes do BBB 26. Dentro da casa, Ana Paula Renault criticou duramente a prova.

“Isso é degradante, é explorar a desigualdade social na tampa e não é entretenimento”, afirmou.

Já Gabriela e Chaiany, que também participaram do Quarto Branco, comentaram a situação de forma mais leve. “Tinha biscoito, a gente só não podia comer. Vai que acabava?”, disseram, aos risos.

Nas redes sociais, o público se dividiu. Parte dos internautas questionou os limites da dinâmica e a restrição alimentar envolvida, enquanto outros defenderam a produção, lembrando que os participantes tinham a opção de desistir a qualquer momento.

Assine a Newsletter
Banner Whatsapp Desktop