
A disputa pela Warner Bros. ganhou um novo capítulo fora dos tribunais e chegou às redes sociais. O ator Mark Ruffalo criticou publicamente o cineasta James Cameron após o diretor se manifestar contra a possível compra do estúdio pela Netflix. A divergência expôs um racha entre nomes de peso de Hollywood em meio ao debate sobre concentração de mercado e futuro da indústria cinematográfica.
Na última semana, Cameron enviou uma carta ao subcomitê do Senado norte-americano sobre antitruste, política concorrencial e direitos do consumidor, presidido pelo senador republicano Mike Lee. No documento, o diretor afirmou que a aquisição da Warner Bros. pela Netflix pode causar “danos irreparáveis” ao setor.
Segundo Cameron, o modelo de negócios da plataforma de streaming ameaça a estrutura tradicional do cinema. “Os cinemas vão fechar. Menos filmes serão produzidos. Prestadores de serviço, como empresas de efeitos visuais, sairão do mercado. As demissões vão se multiplicar”, alertou o cineasta.
Ele argumentou ainda que o funcionamento da Netflix entra em conflito com o modelo de exibição cinematográfica. “O modelo de negócios da Netflix é contrário ao da produção e da exibição cinematográfica, que emprega centenas de milhares de americanos. Está, portanto, em conflito direto com o modelo de negócios da divisão de cinema da Warner Bros., um dos poucos grandes estúdios que restam”, escreveu.
No sábado (21), Mark Ruffalo, conhecido por interpretar o Hulk no universo Marvel, usou suas redes sociais para questionar a posição do diretor de Titanic. O ator sugeriu que a crítica de Cameron pode ser seletiva.
“Então… a próxima pergunta ao Sr. Cameron deveria ser: ‘Você também é contra a monopolização que uma aquisição da Paramount criaria? Ou só é contra o da Netflix?’”, escreveu Ruffalo.
Apesar de Cameron ter se manifestado contra a venda da Warner Bros. à Netflix, ele não comentou publicamente sobre uma possível aquisição pela Paramount, que também disputa o controle do estúdio. Netflix e Paramount travam uma batalha judicial para definir quem ficará com a Warner Bros.
Ruffalo reforçou a cobrança por um posicionamento mais amplo. “Acho que a resposta seria muito interessante para a comunidade cinematográfica ouvir — e é uma pergunta que deveria ser feita imediatamente”, afirmou.
O ator também direcionou questionamentos ao senador Mike Lee, que lidera o subcomitê responsável por analisar o caso. “Ele está tão preocupado com essa venda para a Paramount quanto está com a venda para a Netflix?”, perguntou.
Após a divulgação da carta de Cameron, Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, reagiu às críticas e acusou o cineasta de defender interesses da concorrência.
“Estou particularmente surpreso e desapontado que James tenha optado por participar da campanha de desinformação da Paramount em relação a este acordo, que já dura meses”, declarou Sarandos em entrevista.
A troca de declarações ocorre em meio a um debate mais amplo sobre concentração de mercado no setor audiovisual, impacto das plataformas de streaming sobre as salas de cinema e o futuro da produção tradicional de filmes.
Enquanto a decisão sobre a Warner Bros. segue no campo jurídico e regulatório, o embate público entre artistas e executivos revela que a discussão ultrapassa cifras bilionárias e envolve diferentes visões sobre os rumos da indústria cinematográfica nos Estados Unidos.

