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20 de fevereiro de 2026 - 17h33
CAMARA
INDÚSTRIA DO CINEMA

James Cameron critica possível compra da Warner pela Netflix

Diretor alerta para fechamento de cinemas, menos filmes e impacto no emprego

20 fevereiro 2026 - 16h15Daniel Vila Nova
James Cameron enviou carta a senador dos EUA criticando possível compra da Warner Bros. pela Netflix.
James Cameron enviou carta a senador dos EUA criticando possível compra da Warner Bros. pela Netflix. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O cineasta James Cameron, responsável por sucessos como Titanic, O Exterminador do Futuro e Avatar, enviou uma carta ao senador norte-americano Mike Lee criticando a possível compra da Warner Bros. Discovery pela Netflix. Para o diretor, a aquisição pode provocar uma crise sem precedentes na indústria cinematográfica dos Estados Unidos.

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No documento, obtido pela CNBC e divulgado na quinta-feira (19), Cameron afirma que a fusão seria “desastrosa” para o setor de exibição nos cinemas.

“Os cinemas vão fechar. Menos filmes serão produzidos. Prestadores de serviço, como empresas de efeitos visuais, sairão do mercado. As demissões vão se multiplicar”, alertou o cineasta.

O senador Mike Lee, republicano por Utah, preside o subcomitê do Senado sobre antitruste, política concorrencial e direitos do consumidor, responsável por acompanhar grandes fusões e aquisições.

Conflito de modelos - Na avaliação de Cameron, o modelo de negócios da Netflix é incompatível com o funcionamento tradicional da indústria cinematográfica.

“O modelo de negócios da Netflix é contrário ao da produção e da exibição cinematográfica, que emprega centenas de milhares de americanos. Está, portanto, em conflito direto com o modelo de negócios da divisão de cinema da Warner Bros., um dos poucos grandes estúdios que restam”, escreveu.

Segundo ele, a Warner lança cerca de 15 filmes por ano nos cinemas, volume considerado essencial para manter a rede de exibidores em funcionamento.

“A já combalida comunidade de exibidores depende desesperadamente dessa produção”, pontuou.

Para o diretor, a fusão reduziria as opções do público ao diminuir o número de longas-metragens produzidos e limitaria alternativas para cineastas que buscam estúdios dispostos a financiar projetos.

Outro ponto de preocupação é a chamada janela de exibição, período em que o filme permanece exclusivamente nas salas de cinema antes de chegar ao streaming.

Cameron afirmou que o prazo defendido pela Netflix seria de 17 dias, considerado insuficiente por grande parte do setor.

“A maioria das pessoas no setor de longas-metragens acredita que a janela mínima deveria ser de 45 dias; muitos defendem 60 dias”, declarou.

Ele também destacou que não basta estabelecer um número mínimo de dias sem garantir o volume de salas em que os filmes serão exibidos.

“Um grande lançamento costuma estrear simultaneamente em mais de 3 mil cinemas no mercado doméstico”, observou.

Lançamentos limitados - Na carta, Cameron argumenta que a Netflix não enxerga os cinemas como modelo central de negócio.

“A Netflix realizou apenas um punhado de lançamentos nos cinemas — e, ainda assim, geralmente sob pressão de cineastas prestigiados. Mesmo nesses casos, as estreias costumam ocorrer em um número simbólico de salas e são feitas principalmente para se qualificarem ao Oscar”, afirmou.

Segundo ele, esse tipo de estratégia não sustenta a cadeia econômica do setor de exibição.

Cameron afirmou que vê sua própria carreira impactada pela possível venda.

“Vejo minha criatividade e minha produtividade diretamente ameaçadas por essa possível venda. Tenho certeza de que muitos na comunidade cinematográfica — roteiristas, produtores, diretores, exibidores, sindicatos e associações profissionais, membros de equipes técnicas e prestadores de serviço — concordam comigo”, escreveu.

Ele reconheceu que muitos profissionais podem evitar críticas públicas por dependerem da Netflix como empregadora, mas disse acreditar que representa um sentimento amplo dentro da indústria.

“Acredito firmemente que a proposta de venda da Warner Brothers Discovery para a Netflix será desastrosa para o setor de exibição cinematográfica, ao qual dediquei o trabalho da minha vida”, concluiu.

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