
O filme Hamnet, dirigido por Chloé Zhao, conquistou neste domingo (11) o Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama, superando títulos como Frankenstein, Foi Apenas um Acidente, Valor Sentimental, Pecadores e o brasileiro O Agente Secreto. A vitória marcou um dos principais momentos da cerimônia e confirmou o prestígio da produção entre os votantes da premiação.
Baseado no livro homônimo da escritora Maggie O’Farrell, o longa apresenta uma abordagem ficcional da vida de William Shakespeare, interpretado por Paul Mescal, e de um episódio pessoal que teria influenciado a criação de Hamlet. A narrativa parte da morte de um dos filhos do dramaturgo ainda na infância, evento que, segundo o romance, teria sido decisivo para a obra do autor inglês.
Embora Mescal dê vida a Shakespeare, quem assume o centro emocional do filme é Agnes, personagem interpretada por Jessie Buckley. A atriz irlandesa vive uma mulher ligada à natureza e ao uso de ervas medicinais, com forte dimensão espiritual. A performance foi reconhecida pela Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood com o prêmio de Melhor Atriz em Filme de Drama.
Produtor do longa, Steven Spielberg subiu ao palco para receber o prêmio de melhor filme, mas fez questão de dividir o protagonismo do momento com a diretora. Ao passar a palavra para Chloé Zhao, ele citou uma reflexão feita por Paul Mescal durante as filmagens. “Ele me disse que filmar Hamnet o fez perceber que a parte mais importante de ser artista é aprender a ser vulnerável o suficiente para permitir ser quem somos, não quem queremos ser”, afirmou Spielberg.
O livro de Maggie O’Farrell, lançado em 2020, tornou-se um best-seller ao reimaginar a trajetória íntima de Shakespeare. A autora parte de registros históricos que indicam que Hamnet e Hamlet eram variações do mesmo nome na Inglaterra do século XVI, e constrói a hipótese de que a peça mais célebre do dramaturgo teria sido escrita após a morte do filho, aos 11 anos.

