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CINEMA

Halle Berry diz que Oscar não transformou carreira e expõe racismo em Hollywood

Atriz afirma que vitória histórica em 2002 não abriu portas e critica estigmas da indústria

3 fevereiro 2026 - 15h45Daniel Vila Nova
Halle Berry venceu o Oscar em 2002 e segue sendo a única negra premiada como Melhor Atriz
Halle Berry venceu o Oscar em 2002 e segue sendo a única negra premiada como Melhor Atriz - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Vencer o Oscar costuma ser visto como o ponto mais alto da carreira de um ator em Hollywood, mas, para Halle Berry, a conquista histórica não trouxe a transformação profissional que muitos imaginam. A atriz, vencedora do prêmio de Melhor Atriz em 2002 por sua atuação em A Última Ceia, afirmou que a estatueta teve pouco impacto prático em sua trajetória e que o racismo continuou sendo um obstáculo na indústria cinematográfica.

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Halle segue sendo, até hoje, a única mulher negra a vencer a principal categoria feminina de atuação no Oscar. Em entrevista à revista norte-americana The Cut, publicada na segunda-feira (2), a atriz contou que criou expectativas de que a vitória mudaria radicalmente sua carreira.

“Depois que ganhei, achei que ia aparecer um caminhão de roteiros estacionando na porta da minha casa”, disse. Segundo ela, apesar do orgulho pela conquista, a realidade permaneceu a mesma. “Embora eu estivesse imensamente orgulhosa da vitória, na manhã seguinte eu continuava sendo uma mulher negra.”

De acordo com Halle Berry, o preconceito racial em Hollywood continuava presente mesmo após o reconhecimento da Academia. Ela relatou que executivos e diretores ainda demonstravam resistência em escalar protagonistas negras em grandes produções.

“Diretores ainda diziam: ‘Se colocarmos uma mulher negra nesse papel, o que isso significa para a história inteira? Vou ter que escalar um homem negro? Então vira um filme negro. Filmes negros não vendem no exterior’”, afirmou a atriz, ao descrever justificativas que ouvia nos bastidores da indústria.

Durante a entrevista, Halle também comentou sobre a pressão simbólica que o Oscar carrega e contou que já conversou sobre isso com a atriz Cynthia Erivo, indicada três vezes ao prêmio. Segundo ela, fez questão de relativizar o impacto da estatueta na vida profissional.

“Você realmente merece isso, mas não sei se isso vai mudar a sua vida. Isso não pode ser a validação do que você faz”, contou ter dito à colega.

Para Halle Berry, a validação artística precisa vir de dentro e não apenas de prêmios. Ela relembrou, inclusive, um episódio marcante de sua carreira: o ano em que venceu o Razzie, premiação que destaca os piores filmes do ano, como Pior Atriz por sua atuação em Mulher-Gato.

Diferentemente da maioria dos vencedores do Razzie, Halle compareceu à cerimônia e fez um discurso levando consigo o Oscar que havia conquistado anos antes. O gesto foi interpretado como uma forma de ironizar os extremos da indústria cinematográfica.

“Eu sempre soube que aquele Oscar não me tornou a melhor, assim como o Razzie não me torna a pior”, concluiu a atriz.

As declarações reacendem o debate sobre diversidade, representatividade e oportunidades reais para atores negros em Hollywood, mesmo após conquistas consideradas históricas.

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