
O frevo acelerado e o maracatu tomaram conta do entorno do Parque do Ibirapuera na manhã desta terça-feira, 17, com a passagem do Galo da Madrugada pelo carnaval de rua de São Paulo. O tradicional bloco do Recife iniciou o cortejo por volta das 9h, na Avenida Pedro Álvares Cabral, nas proximidades do Obelisco, na zona sul da capital.
Considerado o maior bloco carnavalesco do mundo pelo Guinness Book, o Galo voltou a desfilar na capital paulista, onde se apresentou pela primeira vez em 2020. Neste ano, abriu a programação do dia em um dos principais palcos da folia paulistana.
O entorno do Ibirapuera se consolidou como a principal passarela dos grandes blocos neste carnaval. Nos dias anteriores, passaram pelo local nomes como Ivete Sangalo, no sábado de pré-carnaval, Michel Teló, no domingo, e Pabllo Vittar, na segunda-feira.
Na manhã desta terça, o clima foi dominado pelas cores de Pernambuco. Bandeiras do Estado e sombrinhas de frevo se multiplicaram entre os foliões. Quem chegou depois das 10h precisou apressar o passo para alcançar o trio, já ao som do ritmo acelerado.
Entre o público, a mistura de sotaques e histórias deu o tom da festa. O paulista Alexandre, de 41 anos, chamou atenção com uma fantasia de chuveiro. Bem-humorado, explicou a escolha. “A gente é pobre. E pobre tem de ter imaginação”, disse.
Para a pernambucana Adeilda Soares, de 63 anos, o desfile teve sabor de reencontro. Moradora de São Paulo há 28 anos, ela acompanha o bloco na capital pelo segundo ano consecutivo.
“Eu não sabia que o Galo da Madrugada se apresentava aqui também. Agora não perco mais, é só nostalgia”, afirmou.
A presença do bloco reforça a conexão afetiva de milhares de nordestinos que vivem em São Paulo e encontram na folia uma forma de reviver tradições da terra natal.
No meio do cortejo, o dançarino Bruno Greta, de 20 anos, trouxe o frevo no corpo e na memória. Natural de Olinda, ele se mudou para São Paulo para estudar e aproveitou a passagem do Galo para se apresentar.
“Comecei a dançar desde pirralho. Minha mãe era passista. Eu danço desde os 4 anos”, contou.
Mesmo durante as pausas do grupo, Bruno não parava. O frevo, para ele, é mais que dança. “Quando eu danço, sinto a mesma coisa de quanto estou voando, me sinto nas nuvens. O frevo me leva, eu voo, é um misto de sensações. É uma das melhores coisas da vida.”
O cortejo também reuniu foliões que encontraram no bloco uma nova forma de participar da festa. Cristiano Oliveira, de 38 anos, atuou como cordeiro e aproveitou cada minuto ao som do maracatu. Ele já foi ritmista de escola de samba, mas se afastou por causa do trabalho.
“Me convidaram para ser cordeiro e eu disse: ‘vou lá ver como é que é’ e estou aproveitando muito. Não dá para ficar parado”, afirmou.
A passagem do Galo da Madrugada por São Paulo mostra como o carnaval da capital tem incorporado ritmos de diferentes regiões do País. Se o samba é a base histórica da cidade, o frevo e o maracatu também encontram espaço e público fiel.
Na Avenida Pedro Álvares Cabral, o que se viu foi uma celebração que uniu pernambucanos saudosos e paulistas curiosos, todos embalados pelo mesmo compasso acelerado. Em meio às sombrinhas coloridas e aos passos rápidos, o Galo mais uma vez provou que sua tradição ultrapassa fronteiras e transforma qualquer avenida em território de frevo.

