
A modelo brasileira Izabel Goulart é citada em e-mails revelados na última semana pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos dentro do material relacionado ao caso Jeffrey Epstein. O nome da brasileira aparece em mensagens trocadas em 29 de abril de 2011 entre Jeffrey Epstein, o financista sérvio Boris Nikolic — ligado à Fundação Gates — e uma pessoa identificada como Sam Jaradeh.
Nos documentos, o nome de Izabel surge como assunto de um dos e-mails. Jaradeh faz comentários elogiosos sobre a modelo. Em seguida, Nikolic escreve a Epstein afirmando que Sam teria uma “nova amiga” e que os dois teriam saído e bebido na noite anterior. “Algo está me dizendo que nada mais aconteceu”, diz a mensagem. Ele acrescenta: “Na verdade, ela era uma modelo da Victoria’s Secret, então você talvez já a conheça”.
Izabel Goulart foi modelo da Victoria’s Secret entre 2005 e 2008.
Em resposta, Epstein afirma: “Ela ficou no meu apartamento seis anos atrás, quando veio pela primeira vez a Nova York. Mas você deveria pedir para Sam trazê-la aqui. Ela é ótima”. Nikolic retruca: “Você é rápido. Seis anos atrás. Eu deveria saber”.
Procurada pelo Estadão, Izabel Goulart não se manifestou até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.
Relação com a Victoria’s Secret
As investigações sobre Epstein já haviam apontado conexões com o universo da moda. Les Wexner, ex-CEO da Victoria’s Secret, manteve relação profissional com o financista nos anos 1990, quando Epstein atuou como seu conselheiro.
Reportagem do The New York Times, publicada em 2019, apontou que Epstein teria tentado atuar como recrutador para a marca. Em 1997, a modelo Alicia Arden afirmou ter sido convidada por ele para discutir oportunidades na Victoria’s Secret, mas relatou que o encontro teria tido outra intenção.
Brasileiros citados nos arquivos
Além de Izabel Goulart, outros brasileiros aparecem nos documentos tornados públicos.
A apresentadora Luciana Gimenez é mencionada em registros de transferências financeiras que somariam até US$ 12 milhões (cerca de R$ 62 milhões). Ela nega ter conhecido Epstein e afirma nunca ter tido contato pessoal, profissional ou financeiro com ele. Luciana não é investigada.
Os arquivos também indicam que Epstein demonstrou interesse em fazer negócios no Brasil, inclusive com o empresário Eike Batista. Segundo os documentos, Ian Osborne, apontado como emissário do financista, teria se reunido 12 vezes com Eike em 2012. Não há registro de encontro direto entre Epstein e o empresário. Eike afirmou ao Estadão não se lembrar de Osborne e declarou nunca ter tido contato com Epstein.
A ex-modelo Luma de Oliveira, ex-mulher de Eike, também foi mencionada em trocas de e-mails nas quais Epstein comentava seu interesse por mulheres brasileiras.
Reportagem do Estadão já havia detalhado que Epstein cogitou comprar uma agência de modelos no Brasil com o objetivo de “ter acesso a garotas”, conforme mensagens divulgadas inicialmente pelo jornal O Globo.
Os documentos fazem parte de um conjunto de arquivos que vêm sendo tornados públicos pelas autoridades norte-americanas e que expõem nomes citados em mensagens, contatos e registros ligados ao financista, condenado por crimes sexuais e morto em 2019.
