
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) abriu, nesta quinta-feira, 29, as inscrições para a 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, iniciativa que tem como objetivo valorizar e reconhecer a produção acadêmica, científica, técnica e profissional brasileira. A premiação contempla 30 categorias e se consolida como um dos principais reconhecimentos do setor editorial acadêmico no País.
As inscrições podem ser realizadas até as 18h (horário de Brasília) do dia 19 de março, exclusivamente pelo site oficial do prêmio. Podem concorrer obras publicadas em língua portuguesa, em primeira edição, no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2025, desde que possuam ISBN e Ficha Catalográfica emitidos no Brasil, conforme as exigências legais.
Entre os formatos aceitos estão obras individuais, coletâneas, dicionários, enciclopédias, livros didáticos e de divulgação científica. Também estão aptos a concorrer autores brasileiros, natos ou naturalizados, além de estrangeiros com residência permanente no Brasil, devidamente comprovada.
Uma das principais novidades desta edição é a ampliação das regras de participação para autores estrangeiros. A partir de agora, estrangeiros não residentes no Brasil poderão participar exclusivamente em coletâneas, limitados a até 30% da autoria da obra inscrita.
Outra mudança relevante diz respeito à categoria Livro Acadêmico Clássico, que passa a exigir que a obra indicada tenha, no mínimo, 15 anos de circulação. Nas edições anteriores, não havia exigência de tempo mínimo de publicação.
Os autores premiados receberão uma estatueta do Jabuti e um prêmio em dinheiro no valor de R$ 5 mil. As editoras das obras vencedoras também serão contempladas com uma estatueta. A cerimônia de entrega está prevista para agosto, em data e local que ainda serão divulgados.
A curadoria do Prêmio Jabuti Acadêmico é assinada por Nina Beatriz Stocco Ranieri, professora titular da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora da Cátedra Unesco de Direito à Educação. Especialista em Direito Público e Direito à Educação, Nina já ocupou cargos de gestão tanto no Governo do Estado de São Paulo quanto na USP.
Para a presidente da CBL, Sevani Matos, o prêmio cumpre um papel estratégico ao fortalecer a produção científica no Brasil. “O Prêmio Jabuti Acadêmico traz contribuições relevantes nos aspectos científico, social, político e cultural do Brasil, ao divulgar autores e editores que se dedicam à produção acadêmica. Reconhecê-los significa incentivar a pesquisa e a ciência como pilares para o desenvolvimento do nosso País”, afirmou.
A divulgação dos semifinalistas e finalistas está prevista para o mês de julho.
Além das categorias tradicionais, o prêmio também reconhece, a cada edição, uma Personalidade Acadêmica, escolhida diretamente pela CBL, e o Livro Acadêmico Clássico. Para esta última homenagem, será realizada uma consulta pública entre os dias 29 de janeiro e 27 de fevereiro, até as 18h.
Durante esse período, interessados poderão indicar obras por meio de formulário disponível no site do prêmio. Editoras também receberão um questionário para sugerir títulos. Após uma pré-seleção feita pela curadoria e pela comissão do prêmio, a entidade escolherá a obra vencedora.
O Livro Acadêmico Clássico reconhece títulos de referência que permanecem relevantes ao longo do tempo e que ocupam lugar de destaque na formação de estudantes e profissionais de diferentes áreas.
O Prêmio Jabuti Acadêmico contempla 30 categorias, divididas em dois eixos. O eixo Ciência e Cultura reúne 27 categorias, enquanto o eixo Prêmios Especiais conta com três: Tradução, Divulgação Científica e Ilustração e Infografia — esta última nomenclatura incluída no regulamento de 2026.
Entre as áreas contempladas estão Ciência de Alimentos e Nutrição; Ciências Agrárias e Ambientais; Medicina; Direito; Economia; Educação; História; Comunicação; Artes; Engenharia; Matemática; Física; Ciência da Computação, entre outras. Cada obra pode ser inscrita em apenas uma categoria, com exceção de Ilustração e Infografia, que permite inscrição simultânea em outra área.
Assim como nas edições anteriores, não serão aceitas obras que tenham utilizado ferramentas de inteligência artificial em tarefas autorais. A vedação inclui tecnologias semelhantes e aplicações que incorporem IA para produção de conteúdo.
Segundo a curadora Nina Beatriz Ranieri, as regras relacionadas ao uso de inteligência artificial têm como base a valorização do trabalho autoral e a transparência. “Elas foram feitas com base em dois pilares: valorização do trabalho autoral e a declaração”, explicou.
A IA pode ser mencionada apenas se tiver sido utilizada como apoio à pesquisa ou à leitura durante o estudo, ou ainda quando for objeto central do próprio livro. A decisão segue uma orientação internacional e ganhou força após a polêmica envolvendo uma edição ilustrada de Frankenstein, desclassificada do Prêmio Jabuti em 2023 por uso de IA.
As inscrições para o Prêmio Jabuti Acadêmico começam às 16h do dia 29 de janeiro e seguem até as 18h do dia 19 de março de 2026. Elas podem ser realizadas por editoras, autores, agentes literários ou procuradores legalmente constituídos. Inscrições feitas até 27 de fevereiro terão valor promocional.
Na edição de 2025, o prêmio recebeu 2.004 inscrições em 26 categorias, contou com a participação de 78 jurados e premiou 58 autores e organizadores, além de 23 selos editoriais e duas obras independentes.

