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CARNAVAL 2026

Carla Perez pede desculpas após polêmica com segurança negro no carnaval

Dançarina foi criticada nas redes sociais por subir nos ombros de um segurança negro durante trio em Salvador e disse reconhecer impacto racista da cena.

17 fevereiro 2026 - 12h25Redação
Carla Perez foi criticada após subir nos ombros de um segurança negro durante o trio do Pipoca Doce e a cena repercutir nas redes sociais.
Carla Perez foi criticada após subir nos ombros de um segurança negro durante o trio do Pipoca Doce e a cena repercutir nas redes sociais. - Foto: Reprodução

A dançarina Carla Perez se desculpou publicamente após ser acusada de racismo por causa de uma cena registrada no domingo (15), durante o carnaval de Salvador. Nas imagens, ela aparece sobre os ombros de um segurança negro enquanto se apresenta no circuito Osmar (Campo Grande), à frente do projeto Pipoca Doce. O pedido de desculpas foi publicado nas redes sociais na segunda-feira (16), depois da repercussão negativa do episódio.

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Segundo Carla, a ideia ao subir nos ombros do profissional era ficar mais próxima das crianças que acompanhavam o trio, mas ela admitiu que o gesto carrega simbologias ligadas ao racismo estrutural e disse reconhecer o erro.

Cena durante o trio Pipoca Doce - O episódio aconteceu na última apresentação do projeto Pipoca Doce, versão gratuita do trio puxado por Carla Perez no carnaval de Salvador. A iniciativa começou como bloco Algodão Doce, voltado para foliões pagantes, e se consolidou como uma das propostas pioneiras da folia ao pensar um espaço pensado especialmente para crianças.

Durante o desfile no circuito Osmar, no Campo Grande, a artista subiu nos ombros de um segurança negro. A cena foi registrada em vídeo e fotos e, ao circular nas redes sociais, passou a ser alvo de críticas.

No X (antigo Twitter), um usuário comentou: “Brasil, século XXI? 2026, Sinhá (Carla Perez) e seu serviçal em pleno carnaval de Salvador.” A mensagem ilustra o tipo de leitura simbólica que se formou em torno da imagem, associando a postura da artista a um cenário de subalternização de pessoas negras.

“A imagem que ficou é dura”, diz Carla - Diante da repercussão, Carla usou as redes sociais para explicar o contexto e pedir desculpas. Ela afirmou que a intenção ao subir nos ombros do segurança era ampliar o contato com o público infantil.

“Eu subi nos ombros do segurança para conseguir ter o contato físico e, portanto, estar mais próxima das minhas crianças, em momentos pontuais do percurso, devido a minha estatura”, escreveu.

Na mesma publicação, a dançarina reconheceu que, apesar da motivação que apresentou, o registro visual da cena tem peso simbólico. “A imagem que ficou é dura, e eu reconheço isso. Ainda que a intenção tenha sido boa, a cena reproduz simbologias que nos atravessam enquanto sociedade”, afirmou.

Carla também relacionou o episódio às desigualdades raciais do País. “Remete a desigualdades históricas que estruturam o nosso País e que jamais podem ser naturalizadas. Nada justifica. Absolutamente nada”, declarou.

Pedido de desculpas e reconhecimento do erro - No texto, a artista fez um pedido direto de desculpas e disse que assumir a falha é parte do processo de aprendizado. “Peço desculpas, de forma direta e sincera. Reconhecer o erro é o meu primeiro passo. O segundo é agir”, escreveu.

Ela ainda ressaltou a importância do carnaval de Salvador como manifestação ligada à população negra. “O Carnaval de Salvador, a maior festa de rua do planeta, é feito majoritariamente por pessoas negras e para pessoas negras. Ele é expressão de resistência, cultura e potência”, registrou.

Em seguida, reforçou o reconhecimento da responsabilidade que carrega como figura pública dentro desse contexto. “Tenho consciência da responsabilidade histórica que isso carrega. Errei. Reconheço. E, mais uma vez, peço desculpas.”

Compromisso contra o racismo estrutural - Além de comentar o episódio específico, Carla afirmou que pretende transformar a situação em ponto de reflexão e mudança de postura. Segundo ela, o episódio será usado como aprendizado.

“Reafirmo meu compromisso inegociável de combater qualquer prática ou simbologia que reforce o racismo estrutural”, declarou.

Ao encerrar o pronunciamento, Carla voltou a mencionar a emoção pela despedida do projeto e reforçou o pedido de desculpas. “Aqui finalizo, ressaltando meu pedido de desculpas e com o coração cheio de amor, ainda muito emocionada com a despedida de ontem. Agradeço a compreensão de todos”, concluiu.

O caso reacende o debate sobre racismo estrutural e sobre como gestos e imagens, mesmo quando não planejados para ofender, podem reproduzir hierarquias e desigualdades históricas, especialmente em um ambiente como o carnaval de Salvador, marcado pela centralidade da cultura negra.

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